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PSB e CUT repudiam a censura ao governador
Roberto Requião
O deputado
Beto Albuquerque (PSB-RS) apontou estranha
“ausência de manifestação dos grandes veículos
de comunicação em repúdio a medida abominável”
que “atenta contra o direito à livre
manifestação do pensamento garantida a todo
cidadão”
“Todo tipo de censura é abominável. Essa decisão
judicial atenta contra o direito à livre
manifestação de pensamento que deve ser
garantida a todo e qualquer cidadão”, afirmou,
em entrevista ao HP, o vice-líder do governo na
Câmara dos Deputados, Beto Albuquerque (PSB-RS),
sobre a censura prévia ao governador do Paraná,
Roberto Requião. O governador está impedido de
se pronunciar na programação da Rádio e TV
Paraná Educativa, por sentença do desembargador
Edgar Lippmann Júnior.
Para o deputado Beto Albuquerque, a sociedade
brasileira deve estar atenta a iniciativas como
a do desembargador, que “ameaçam direitos
constitucionais dos quais não podemos abrir
mão”. Segundo ele, “não podem haver dois pesos e
duas medidas quando se trata de liberdade de
expressão”.
O deputado disse estranhar, entretanto, “a
ausência de manifestação dos grandes veículos de
comunicação do país em repúdio a essa medida que
impõe censura prévia a uma emissora de TV e ao
governador Roberto Requião”.
A censura a Requião também foi repudiada em
artigo da secretária nacional de Comunicação da
CUT (Central Única dos Trabalhadores), Rosane
Bertotti. Para ela, a decisão do desembargador
Lippmann de proibir o governador de se
manifestar no programa Escola de Governo, da TV
Educativa, “mais do que uma arbitrariedade, é
uma agressão à liberdade de expressão e à
própria democracia em nosso país”.
Em seu artigo, ela pergunta: “A quem interessa
colocar mordaça em quem se levanta contra a
contaminação transgênica das multinacionais
Syngenta e Monsanto, que defende a
democratização dos meios de comunicação,
questiona política e ideologicamente o
privatismo e o neoliberalismo, abrindo espaço
aos movimentos sociais?”.
“Voltada explicitamente contra as forças
progressistas, a postura do desembargador
converteu-se numa cruzada, teimando em fazer uso
de um arsenal político-ideológico extremamente
reacionário, que vai da censura prévia à
imposição de multas aos seus opositores”, diz o
artigo.
“Vale ressaltar que a TV Educativa é pública e
que, portanto, expressa as opiniões não só do
governo, como da sociedade e dos movimentos
sociais, que não podem ficar desprovidos de tal
instrumento de comunicação”.
Ela diz que “Lippmann confunde liberdade de
imprensa com liberdade de empresa”, e afirma:
“Ao mesmo tempo em que nada faz contra a
manipulação, a desinformação e baixaria que
infestam a programação dos monopólios privados
de mídia, procura calar uma voz da esfera
pública que se levanta de forma conseqüente e
crítica, dando vazão ao contraditório”.
Para Rosane, “diante da gravidade e da
extemporaneidade dos fatos, jamais poderíamos
nos omitir de denunciar tamanhos e tão
desqualificados abusos. Por isso nos somamos ao
pronunciamento de dezenas de entidades
sindicais, estudantis, femininas e comunitárias
de todo o país que, pelo bem da verdade, do
direito e da Justiça, se solidarizam ao povo do
Paraná em sua luta pela democracia”.
ANA BRAIA |