|
“O Globo”
manipula os números para inventar denúncia sobre ministro Lupi
Na ânsia de tentar difamar o ministro do
Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, acusando-o de beneficiar correligionários
de seu partido, o PDT, em convênios firmados pela sua pasta, o jornal “O
Globo” não consegue sequer tomar cuidado com os números que ele apresenta e
manipula.
No dia 26 último, por exemplo, o jornal publicou
manchete de capa para sustentar a “denúncia bombástica” de que o ministério
havia firmado um convênio com uma Ong no valor de R$ 3,6 milhões, da cidade
de Catanduva (SP). Na página 3, o redator faz um resumo das suas acusações
contra Lupi, asseverando que o ministro destinou, “no apagar das luzes de
2007, pelo menos, R$ 90 milhões” para 16 entidades (o jornal não definiu
ainda se são 12 ou 16) de pessoas ligadas ao PDT. Já na página seguinte (4),
o redator, não dá para saber se é o mesmo, afirma que o ministro usou o
cargo para beneficiar, “com recursos que chegam a R$ 50 milhões”, Ongs
ligadas ao PDT, etc, etc... É 90 ou 50? Nos parece que nenhum e nem outro.
Para tanto, basta fazer um levantamento no
“Portal da Transparência Pública” dos convênios que tiveram alguma
movimentação, liberação, ou que foram firmados entre 2007 e 2008 pelo
ministério para perceber que se o ministro esta cometendo algum pecado, é o
de estar tratando os estados e municípios administrados pela oposição com
demasiada benevolência.
Neste período, o ministério do Trabalho firmou
convênios com mais de 80 entidades populares e Ongs, além de prefeituras,
universidades, e governos estaduais no montante de R$ 608.411.861,94.
Somente as prefeituras, num total de 81,
receberam R$ 122,2 milhões. A maioria delas é administrada pelo PT, seguido
do PMDB, PDT, DEM, PSDB, PSB, PTB, PR, PPS, PP, PCdoB, PHS e PSDC.
Com entidades populares, universidades,
fundações, e Ongs, o MTE firmou 126 convênios entre 2007 e 2008, somando um
total de R$ 213,7 milhões. Atribuir coloração partidária a tais
instituições, ligadas a universidades públicas ou que representam setores da
sociedade, até mesmo as Ongs, é cometer a mesma leviandade do jornal da
família Marinho, como no caso que tentou vincular uma Ong de Londrina (PR)
ao PDT. Logo ficou claro que a indicação para que a referida organização
(denominada Ciap) recebesse recursos do MTE foi do secretário de Trabalho do
Paraná, Nelson Garcia, filiado ao PSDB. Ainda relacionado com as fundações e
Ongs, é bom salientar que, infelizmente, o portal não informou quanto a
“Fundação Roberto Marinho” recebeu nos últimos anos do MTE. Pelo menos a
nossa pesquisa não encontrou isso ainda neste período. Talvez a explicação
seja porque a “Fundação” tenha sido acusada de irregularidades nos convênios
firmados no governo FHC. Mas isso será tema para outras matérias.
O restante dos recursos foi destinado aos
governos estaduais e secretarias de trabalho para cobrir os custos de
assistência ao trabalhador desempregado e para que estes órgãos executem
convênios e cursos de qualificação profissional. Os estados que mais
receberam verbas foram os de São Paulo e Minas Gerais. Aliás, somente os
principais estados e prefeituras administradas pela oposição (AL, DF, GO,
MG, PB, SP e as prefeituras de São Paulo e Rio de Janeiro) receberam juntos
R$ 111,8 milhões do Ministério do Trabalho.
Como é possível observar, se existe uma coisa de
que o ministro Lupi não pode ser acusado é a de favorecer seus
correligionários. Se bem que, se o fizesse, não seria nenhum crime. Além do
mais, se “O Globo” está tão interessado em apurar supostos benefícios a
aliados ou irregularidades nos convênios firmados por órgãos públicos, não
precisa ir tão longe, basta começar pelo seu próprio tugúrio.
ALESSANDRO RODRIGUES |