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Povo saiu da miséria e escassez e país ruma à auto-suficiência em alimentos
Venezuela
eleva produção para atender poder aquisitivo maior
Chávez exemplificou com o
consumo de leite que, somente em 2007, cresceu em 50%. A meta é satisfazer mais
de 60% do consumo total de leite. A elevação acelerada ocorreu também com a
carne de vaca e de frango
“Um dos objetivos vitais e
imediatos do nosso governo, com a criação e os avanços do projeto socialista
produtivo, é garantir aos venezuelanos a segurança e a auto-suficiência
alimentar”, afirmou Hugo Chávez, em seu programa Alô Presidente, no domingo, dia
24, transmitido desde a Unidade Produtiva El Yagual, no estado de Apure.
“A economia cresceu, nosso povo
tem uma capacidade maior de compra, o desemprego diminuiu e o plano
agroindustrial para garantir a produção para o auto-abastecimento está em
marcha. Enquanto esta revolução continuar viva, o povo venezuelano cada dia se
alimentará e viverá melhor”, disse o presidente, destacando o esforço de seu
governo para investir os recursos provenientes da principal riqueza do país, o
petróleo, “para melhorar substancialmente o nível de vida da população”.
“Estamos recuperando importantes
extensões de terra que se encontravam em situação improdutiva, terras
esterilizadas pelo latifúndio. O latifúndio tem sido um dos freios mais
importantes para o desenvolvimento do país”, assinalou.
Em conseqüência da política
entreguista dos governos neoliberais, a Venezuela não produzia praticamente nada
do que seu povo consumia. “Até alface importávamos”, lembrou Chávez, descrevendo
a absurda situação.
LATIFÚNDIO
Desde 2001 até 2006, o governo
recuperou cerca de 4 milhões de hectares para a produção agrícola. “As terras
férteis improdutivas do latifúndio são um atentado contra o interesse nacional,
uma violação à Constituição, às leis e a todos os princípios de justiça, do
direito e da soberania do país”, frisou.
Com as medidas aplicadas,
incrementou-se em 18% a produção de carne e de leite no país, com o objetivo de
atingir a satisfação das necessidades da população a médio prazo.
“O consumo de leite e sua
produção quase se correspondiam, mas em 2007 subiu o consumo de 2,2 bilhões de
litros ao ano para 3,25 bilhões de litros, um aumento de quase 50%”, relatou
Chávez, acrescentando que “o mesmo aconteceu com a carne de vaca e de frango, o
que significa que melhorou o poder de compra dos venezuelanos. Antes não podiam
comprar carne e leite, mas agora sim, podem”. O presidente disse que o Estado
venezuelano prepara sua capacidade instalada para satisfazer mais de 60% do
consumo total de leite da população, lembrando que o país “não tinha capacidade
para produzir nem um só litro de leite”.
“Estamos levantando a produção
nacional de carne, arroz, hortaliças, frutas e lácteos”, afirmou, se comunicando
por telefone com os diretores do Frigorífico Industrial de Barinas, para
discutir o projeto pecuário que aumentará a produção de carne bovina. “Queremos
potencializar a produção nacional para estarmos abastecidos totalmente em
fevereiro de 2009”, ressaltou.
O ministro de Agricultura, Elias
Jaua, assinalou que, em 2007, foram produzidos cerca de 20 milhões de toneladas
de alimentos, enquanto em 2006, foram produzidos aproximadamente 18 milhões de
toneladas.
Para transitar até o
auto-abastecimento destes produtos básicos, a Venezuela realizou acordos com o
Brasil, a Argentina, a Bielorússia, entre outros países. Os convênios com o
Instituto Nacional de Tecnologia Industrial de Buenos Aires (INTI) permitiram a
criação de unidades produtivas em 25 áreas tecnológicas, como processadores de
alimentos, eletrodomésticos, maquinaria de uso agrícola, fábricas de enlatados,
carnes elaboradas, massas e vasilhames. A Bielorússia exportou leite, tratores,
e tecnologia para a instalação de fábricas que produzam as máquinas. O Brasil
forneceu grãos, carnes, e também maquinaria.
“Nossos países têm tudo para
romper o atraso e a miséria em que a dependência nos afundou, porque
compartilhamos uma idéia de integração sustentada nos princípios de
solidariedade, cooperação e complementação. Alimentos e energia são decisivos
para nossos países”, indicou o líder venezuelano.
No programa, Hugo Chávez também
forneceu os elementos que revelam o motivo do impressionante crescimento do
consumo da população do seu país. “Em 1998 uma pessoa consumia 168 quilogramas
de alimentos por ano, agora uma pessoa consome 188 quilos por ano. Aqui se
passou muita fome e ainda temos problemas com alguns produtos, mas estamos
superando isso”, ressaltou.
SALÁRIO MÍNIMO
Chávez mostrou também que a taxa
de desemprego diminuiu de 16,6% no início do governo, em 1998, para 6,3% em
novembro passado. O salário mínimo subiu de US$182 em 1998 para US$ 285,9 em
2007. O crescimento do Produto Interno Bruto em 2007 foi de 8,4%, mantendo o
elevado índice dos últimos anos.
Durante o mês de janeiro, ante o
recrudescimento de ações desestabilizadoras levadas a cabo por setores da
oposição golpista inconformada com o crescimento do país, o governo criou a
operação Pátria Soberana, com o objetivo de barrar o contrabando de alimentos.
No início de fevereiro, sob a coordenação da Guarda Nacional e do Ministério da
Alimentação, realizou-se um operativo que capturou mais de 5 mil toneladas de
alimentos básicos que estavam sendo tiradas do país, com destino a cidades do
outro lado da fronteira com a Colômbia. Foram também desmontados centros de
açambarcamento de alimentos pertencentes a empresas privadas, onde se escondiam
grandes quantidades de produtos que escasseavam no mercado. “Querem provocar
tensões artificiais, assustar as pessoas, passar a idéia de que todo mundo deve
acumular em casa o que há nas prateleiras dos mercados. Conhecemos essa
história, fizeram isso no Chile, e em outros países. Mas, o governo, as Forças
Armadas e os Conselhos do Poder Popular estão alertas”, advertiu Chávez.
SUSANA SANTOS

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