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Professor de Oxford, em debate na USP, afirma que política de tortura
dos EUA os enfraquecem
“Desde os atentados de
setembro de 2001, os Estados Unidos são uma nação mais fraca. Não pela
ameaça terrorista, mas pelo retrocesso representado pela tolerância à
tortura”, afirmou o professor emérito de Relações Internacionais da
Universidade de Oxford, Henry Shue, na segunda-feira, durante o
Seminário Internacional sobre a Tortura no auditório da Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP).
Para Shue, a tortura, que
caracteriza efetivamente uma ameaça à democracia, sobrevive graças a
determinados mitos. Um deles é que a prática da tortura seria uma medida
excepcional, adotada em tempos de emergência.
“Mas se é temporário,
quando foi seu início? Qual é a emergência? Os fascistas, os comunistas,
os traficantes de drogas, o terrorismo? A justificativa é a emergência
representada pelos inimigos? Mas sempre haverá novos inimigos e a
emergência sempre persistirá”, questionou.
“A tortura parece
necessária para alguns. Precisaríamos de um tipo de educação para os
direitos humanos. E precisamos de discussão. Nos Estados Unidos, até o
governo de George W. Bush, éramos bastante arrogantes a esse respeito,
achando que a tortura não existia no país. Mas ela já era usada quando
Jimmy Carter criticava a tortura no Brasil, Argentina e Chile. Ou seja,
temos um longo caminho de estudos pela frente”, afirmou.
Em entrevista ao jornal
“BBC World News America”, Bush defendeu uma técnica de tortura por
afogamento - waterboarding - que, segundo admitiu, é usada amplamente
pelo Exército norte-americano para interrogatórios. Os torturadores
prendem pelas pernas o interrogado e, de ponta cabeça, o coloca submerso
para causar a sensação de afogamento.
O seminário é realizado
pelo Centro de Estudos da Violência da USP, um dos Centros de Pesquisa,
Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP, também conhecido como Núcleo de
Estudos da Violência (NEV). |