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Ziuganov
defende pôr fim ao saque das riquezas do país e vida digna ao povo
Mais de 108 milhões de
russos estão credenciados para votar nas eleições presidenciais que
ocorrerão no domingo, dia 2 de março.
Disputam a sucessão ao
cargo ocupado por Vladimir Putin quatro candidatos: Dmitri Medvedev,
vice-primeiro-ministro, com o apoio dos partidos Rússia Unida, Agrário,
Força Cívica e Rússia Justa, além de ser respaldado pelo atual presidente;
Guennadi Ziuganov, presidente do Comitê Central do Partido Comunista da
Federação Russa, PCFR, apoiado também pelos comunistas organizados em outras
agremiações, entidades de militares na reserva, sindicatos e associações
civis; Vladimir Zhirinovski, do Partido Liberal Democrático e Andrei
Bogdanov, pelo Partido Democrático.
Publicamos trechos do
discurso proferido por Guennadi Ziuganov no recente XII Congresso
Extraordinário do PCFR.
A
etapa anterior - as eleições parlamentares [realizadas em 2 de dezembro
último] - se transformou numa dura prova para o povo. O PCFR é o único
partido de oposição que saiu de cabeça erguida da enorme pressão e das
falsificações. Ganhamos novos partidários. Aumentamos a quantidade de votos
a nosso favor em mais de um milhão em comparação com as eleições de 2003.
Propusemos à sociedade um programa de renascimento da Rússia e conseguimos
levá-lo ao povo, divulgando milhões de exemplares dos jornais Pravda e
Rússia Soviética.
Quase dois terços dos
eleitores, 65 milhões de pessoas, não foram votar ou não apoiaram Putin e
seu partido Rússia Unida. Por mais que o regime atual se gabe da vitória nas
eleições, não pode ocultar o fato de que não conta com o respaldo da maioria
dos habitantes.
Somos herdeiros do partido que
garantiu o renascimento do país depois da cruel guerra civil e que tudo fez
para criar uma indústria moderna, para a Vitória sobre o fascismo.
POTÊNCIA
Na época do Poder Soviético
foi quando nosso país se transformou numa potencia mundial real e foi o
primeiro em conquistar o cosmos. Todas as pessoas tinham emprego e um bom
salário. A educação e a assistência médica eram gratuitas. O aluguel das
moradias era muito barato. As crianças estudavam à vontade nas escolas
esportivas e círculos artísticos. Cada pessoa tinha segurança em seu porvir.
Nosso país detinha um grande prestígio internacional. Na época da URSS
teria sido impossível a agressão da Otan contra a Iugoslávia, sem falar em
sua penetração em territórios da Rússia milenar.
Com a chegada de Ieltsin e
seus sequazes começaram outros tempos. Um punhado de ricaços - 2 ou 3 % -
prosperou, enquanto que a maioria do povo passou a viver na miséria.
A economia ficou totalmente
dependente do gás e do petróleo. A assistência médica e a educação são
inatingíveis para os cidadãos simples.
Apareceram milhões de crianças
órfãs e analfabetas. Pelo índice de desenvolvimento humano, a Rússia
retrocedeu ao 65º lugar do mundo. À nossa frente, um país africano, a Líbia,
que ocupa o 64º lugar.
Tudo isso levando em conta que
somos o país mais rico do mundo. A cada cidadão da Rússia lhe correspondem
160 mil dólares se considerarmos as riquezas naturais que o país possui; são
16 mil nos Estados Unidos, 6 mil na Europa. Porém, vivemos muito pior que
eles. Por quê? Porque os recursos e o dinheiro são tirados do país,
enriquecendo um grupelho de oligarcas e seus amos ocidentais.
Em que consiste a essência da
posição do PCFR? Consiste em pôr fim ao saque contra a Rússia e fazer com
que cada pessoa viva bem. Os multimilionários não investem dinheiro para
desenvolver a produção; ao contrário, compram palácios na França, iates na
Itália e clubes de futebol na Inglaterra.
A Rússia ocupa o segundo lugar
pela quantidade dos magnatas mas é um dos últimos em relação à esperança de
vida. É normal isso? Por que quando o governo mantém 600 bilhões de dólares
nos bancos estrangeiros, os professores e médicos recebem um salário
miserável, os camponeses apenas conseguem comer e a pensão média dos
aposentados é de pouco mais de 120 dólares, ou seja, duas vezes menor que a
manutenção de um preso no cárcere.
O trabalhador russo não pode
virar um indigente! Entre os 74 milhões de cidadãos em idade de trabalhar,
55 milhões recebem menos de 200 dólares ao mês, sendo o salário mínimo de
106 dólares.
O PCFR exige nacionalizar os
recursos naturais do país e os setores estratégicos da indústria. A
oligarquia deve devolver à sociedade as riquezas usurpadas nos criminosos
anos 90. A nacionalização das grandes indústrias se conjugará com as medidas
de apoio à pequena e média empresa. Só então aparecerão os fundos para pagar
os salários, pensões e moradia dignas, a educação e assistência médica
gratuitas. Para financiar a educação devem se destinar não menos de 10 % do
Produto Interno Bruto, para a ciência, 4 % (com uma perspectiva de até 8
%), para as Forças Armadas, não menos de 3,5% do PIB.
Para apoiar o complexo
agroindustrial e o desenvolvimento do campo há que destinar agora não menos
de 15 % do orçamento estatal. Há que conseguir a paridade de preços sobre os
produtos industriais e agropecuários. Restaurar o sistema de cooperativas de
consumo. A compra e venda de terras tem que ser abolida. No campo devem se
reconstruir as escolas, os postos médicos e as casas de cultura.
O PCFR está seguro de que o
salário mínimo não deve ser de 106 dólares como agora, mas de cerca de 400
dólares. As pensões devem aumentar 3 ou 4 vezes e não ser menores de 50 % do
salário (não o 24 % como agora). O Estado deve garantir o controle de
preços.
SOCIALISMO
Lembrem, nos anos do poder
soviético o salário mínimo era de 100 rublos (quatrocentos dólares de hoje).
A pensão média era de 90 rublos (360 dólares de hoje).
O socialismo se fortalece. A
China é a fábrica do mundo, e o Estado socialista se afirmou. A América
Latina está em direção ao socialismo, porque é a única via de salvação da
miséria monstruosa e do saque por parte da “economia de mercado”.
A Rússia de novo, e
inevitavelmente, chegará ao socialismo. Quanto antes mudarmos o rumo do país
tanto mais rapidamente recuperaremos uma vida digna.
O povo vai comparar seu ótimo
passado próximo e o regime deformado que lhe impuseram sob o carimbo da
“economia de mercado” e os “valores ocidentais”. O povo é a favor da justiça
social e do patriotismo. São os valores que defendem os comunistas. |