|
IOF: oposição se atrapalha na defesa dos banqueiros
Argumento do DEM/PSDB
de que os bancos vão repassar para os clientes o aumento do IOF deixou até mesmo
a Febraban constrangida
Como
previu na segunda-feira o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), o
DEM e o PSDB não se fizeram de rogados e saíram em defesa acalorada do lucro
líquido dos banqueiros. Segundo os dois partidos, o governo não poderia
penalizar os bancos com o aumento das alíquotas de impostos. Isso “seria
inconstitucional”, argumentaram tucanos e pefelistas, em suas ações apresentadas
ao STF. Sua intenção é impedir que o governo obtenha dos bancos os recursos para
cobrir as perdas provocadas pela derrubada da CPMF.
A decisão tomada pelo governo para enfrentar o
problema – que foi criado pela irresponsabilidade da oposição ao fazer carga
contra a CPMF - foi elevar a taxa de Contribuição Sobre o Lucro Líquido (CSLL)
dos bancos de 9 para 15%. O aumento do IOF foi feito através de decreto e a da
CSLL através de medida provisória.
No Imposto sobre as Operações Financeiras (IOF),
o governo estabeleceu um adicional de 0,38% em geral. O IOF tem alíquotas
diferentes dependendo da operação. Por exemplo, a empresa que adquiria um imóvel
comercial pagava 1,5% - e passará a pagar 1,5% mais 0,38%. As “pessoas físicas”
tiveram um aumento de 1,5% para 3% (mais o adicional de 0,38%) enquanto as
empresas ficaram em 1,5% (mais o adicional 0,38%), porém o montante das
operações financeiras das empresas não se equiparam, pelo montante e freqüência,
às das “pessoas físicas”.
META
A meta do governo com as duas medidas é
arrecadar cerca de R$ 10 bilhões. E a escolha da elevação da CSLL dos bancos
como uma das fontes, foi feita, como disse o presidente Lula, na última
segunda-feira, porque “os bancos tiveram muito lucro nesses últimos anos”.
“Aumentamos de 9% para 15% (a CSLL). E os banqueiros não reclamaram”, disse. “E
não reclamaram por quê? Porque os bancos tiveram muito lucro nesses últimos
anos”. “Agora, os bancos estão ganhando e vão poder pagar um pouco mais”,
prosseguiu.
Na mesma direção apontou o governador do Rio de
Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), ao elogiar as medidas tomadas pelo governo (ver
matéria na página 2). “Diante do problema criado pela oposição, o presidente
Lula mais uma vez demonstrou sensibilidade política e, para garantir os
programas sociais, aumentou os impostos dos ricos”, afirmou.
Mas, essas decisões do presidente Lula, apesar
de agradarem o governador do Rio e boa parte da sociedade, deixaram
inconformadas a oposição e sua mídia. Ao sabotar a CPMF e provocar um rombo de
R$ 40 bilhões no orçamento, o que eles queriam era paralisar o governo e jogar
nas costas do povo o problema, defendendo cortes nos investimentos sociais. Mas,
não foi nessa direção que as coisas caminharam. Insatisfeitos, eles não pararam
de bradar que a solução não é essa e que haja cortes e mais cortes nos “gastos”
sociais.
E no afã de arrochar o povo e atingir o governo
Lula , tucanos e pefelistas alardearam que essas medidas provocariam “aumento de
custos” dos bancos e que seriam repassados para a população. Eles esqueceram que
o aumento da CSLL não significa aumento de custos. A CSLL é cobrada somente
sobre o lucro líquido, ou seja, depois de descontados todos os custos e
despesas.
Na questão do IOF os argumentos levantados pelo
DEM e pelo PSDB foram ainda mais desconexos. Disseram que a decisão do governo
levaria os bancos a aumentarem as taxas cobradas para a liberação de créditos.
Neste caso, eles foram mais realistas que o próprio rei. Até os banqueiros
tiveram que desmenti-los de público. E o fizeram na quarta-feira, através de
nota da Febraban (Federação Brasileira de Bancos). A entidade dos banqueiros
disse que não haveria como os bancos aumentarem as taxas de crédito porque “o
sistema financeiro é apenas um recolhedor do imposto”. Segundo a Febraban, os
bancos mandam tudo o que recolhem com o IOF para os cofres públicos, sem ônus
para o governo”. “A lei é clara o suficiente para demonstrar que as
interpretações de que os bancos repassarão o IOF aos consumidores carecem de
fundamento”, prossegue a nota, desmentindo o DEM e o PSDB, referindo-se a eles
indiretamente.
Não satisfeito, o presidente do DEM, deputado
Rodrigo Maia, inventou que as medidas são ilegais porque o governo não observou
o princípio da anualidade na questão da CSLL, ou seja, qualquer aumento ou
criação de um novo tributo só poderia entrar em vigor no ano subseqüente. As
duas elevações de tributos foram anunciadas pelo governo, na última quarta-feira
(2).
O advogado-geral da União, José Antonio Dias
Toffoli, rebateu esses argumentos e avaliou que será fácil a aprovação das
medidas pelo STF. “Os partidos políticos têm todo direito de propor a Adin (Ação
direta de inconstitucionalidade), o que para o governo é até bom, porque já se
resolve de uma vez por todas se o tema é constitucional ou inconstitucional,
evitando uma série de ações na Justiça”, acrescentou.
Ele rechaçou o argumento de que o aumento da
contribuição viola o princípio da “irretroatividade tributária”. A alegação do
DEM é de que a contribuição incidirá sobre o faturamento das instituições
financeiras de 2007, o que feriria o princípio da irretroatividade. De acordo
com a área jurídica do governo, a CSLL é cobrada trimestralmente, com base no
lucro dos três meses anteriores. Portanto, será paga pelas instituições
financeiras, respeitado o prazo de 90 dias estipulado em lei para que o aumento
de uma contribuição passe a vigorar.
É por essas e por outras que o DEM, por exemplo,
perdeu mais de 31,5 mil filiados só no último ano.
PROJETOS
Por seu lado, o senador tucano Alvaro Dias (PR)
protocolou junto à Mesa do Senado, na terça-feira (8), dois projetos de decreto
legislativo (PDS) contra o IOF e repetiu a versão já desmentida do repasse do
aumento para os consumidores. Segundo Álvaro Dias, quem vai sair “perdendo com a
elevação da alíquota do IOF são os pobres. Para eles vão ficar mais caros os
financiamentos de eletrodomésticos e também os empréstimos bancários”. Como se
estivesse lá interessado com as perdas dos pobres, ou não teria votado contra a
CPMF, que financiava a saúde e os programas sociais, como o Bolsa Família.
Depois, acompanhado do presidente do seu partido, Sérgio Guerra, reuniu-se com o
presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), para tratar do assunto.
SÉRGIO CRUZ
|