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“Obra
abastecerá o Nordeste com água, emprego e renda”
Velho Chico transportará água para 12 milhões de
pessoas nos estados de PE, CE, PR e RN
O
2º Batalhão de Construção e Engenharia do
Exército retomou na segunda-feira (7) as obras
de transposição do rio São Francisco, após o
recesso de fim de ano. Os militares estão
trabalhando nas regiões de Cabrobó e Floresta,
em Pernambuco, desde junho de 2007.
Segundo o ministro da Integração Nacional,
Geddel Vieira Lima, “vamos dar mais celeridade
para podermos inaugurar o Eixo Leste, que é o
que leva água para a Paraíba, ainda no governo
do presidente Lula, e deixar as obras do Eixo
Norte avançada de tal forma que torne
irreversível e obrigatória de ser concluída por
qualquer que seja o próximo presidente”, disse.
A
integração do rio São Francisco com as bacias
hidrográficas do Nordeste Setentrional prevê a
construção de dois canais: o Eixo Norte que
levará água para os sertões de Pernambuco,
Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte e o Eixo
Leste que beneficiará parte do sertão e as
regiões agreste de Pernambuco e da Paraíba. Com
previsão para serem concluídas em 2025, as obras
irão beneficiar cerca de 12 milhões de
habitantes de pequenas, médias e grandes cidades
da região semi-árida do Nordeste.
Segundo dados do Ministério, “a integração será
possível com a retirada contínua de 26,4 m³/s de
água, o equivalente a 1,4% da vazão garantida
pela barragem de Sobradinho (1850 m³/s) no
trecho do rio onde se dará a captação. Este
montante hídrico será destinado ao consumo da
população urbana de 390 municípios do Agreste e
do Sertão dos quatro estados do Nordeste
Setentrional. Nos anos em que o reservatório de
Sobradinho estiver vertendo, o volume captado
poderá ser ampliado para até 127 m³/s,
contribuindo para o aumento da garantia da
oferta de água para múltiplos usos”.
Geddel Vieira afirmou ainda que “a prioridade é
para consumo humano e para matar a sede dos
animais, como está claro na outorga concedida
pela Agência Nacional de Águas (ANA)”. “Mas
vamos aproveitar para dizer que não podemos
criminalizar a produção. As pessoas não vivem
sem água, mas também não vivem só de água.
Precisam de emprego, precisam de renda, precisam
de comida. Exatamente por isso, a sobra de água
deve sim ser utilizada para beneficiar a
produção, além do consumo humano e a
dessedentação animal, que são absolutamente
prioritários”.
Para o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB),
“praticamente não há cearenses contrários ao
projeto”. Cid Gomes, que é irmão do deputado
Ciro Gomes (PSB-CE), um dos mentores do atual
projeto de transposição, enquanto ministro da
Integração Nacional, diz que “a transposição é
de fundamental importância para o Nordeste como
um todo.” (Ver matéria nesta página).
“É
preciso deixar de lado as questões partidárias
para que a obra seja feita, levando água de
beber para os nordestinos”, afirma o governador
da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB). Em julho,
o governador chegou a lançar o Comitê Paraibano
em Defesa da Transposição do Rio São Francisco,
que é presidido pelo arcebispo do Estado, D.
Aldo Pagotto.
Em
relação ao impacto ambiental do projeto, o
ministro Geddel cita a “respeitabilidade e o
rigor do Ibama, que demorou tanto tempo para
conceder as licenças e estabeleceu 36 Planos
Básicos Ambientais, que visam proteger o
ambiente”.
Segundo o ministro, “criamos uma comissão
interministerial para acompanhar a implementação
de todos esses planos, que vão mitigar, vão
amenizar qualquer problema ambiental que
eventualmente possa surgir”.
“Nós estamos convencidos de que a realização
dessa obra é importante para o Brasil,
importante para o Nordeste, beneficia muitos e
não prejudica ninguém”, disse.
O
ministro esclarece ainda um dos enganos
freqüentes em relação à obra, de que o curso do
rio será desviado. “São soluções de engenharia
(canais, túneis, aquedutos), pois hoje temos
tecnologias extremamente modernas e testadas
para esse tipo de obra”.
O
trabalho dos militares seguirá paralelo ao
início das obras civis, que serão implementadas
pelo consórcio comandado pela empresa Carioca,
vencedora do primeiro lote da licitação,
conforme informação do ministro.
ANA BRAIA
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