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Ciro: é inquestionável que transposição
do rio trará progresso e desenvolvimento
“O efeito estratégico da
transposição do rio São Francisco, em matéria de produção de alimentos, de
reforma agrária, de progresso, de retenção de migração, é absolutamente
inquestionável”, afirmou o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), um dos
mentores do atual projeto de transposição do rio São Francisco, em
entrevista ao blog do ex-ministro José Dirceu.
“Há a necessidade de levar
essa água lá para cima. O Brasil inteiro tem notícias centenárias de que
ocorre, ciclicamente, a seca; de que há uma indústria da seca; de que há
carro pipa manipulado para subornar consciências; de que a migração explode
a partir dessa situação”.
Ao ser questionado se a
transposição vai favorecer famílias, comunidades ou apenas o empresariado e
o latifúndio, Ciro Gomes, afirmou que “a outorga é absolutamente explícita:
estão outorgados 23 metros cúbicos do São Francisco para abastecimento
humano”. “O presidente Lula determinou - e isso é omitido da opinião pública
- e nós decretamos de utilidade pública, para fins de desapropriação para
reforma agrária, três quilômetros de cada lado em toda a extensão da obra,
composta por dois eixos, o Norte e o Leste que, somados, totalizam 720
quilômetros. Então, é a maior reforma agrária contínua, com água, da
história do Brasil. Três quilômetros para um lado e três para o outro nos
720 quilômetros de canais. Decretada essa desapropriação, a área fica
indisponível para uso privado de quem quer que seja. Outro benefício é que o
projeto pereniza mil quilômetros de rios secos no Nordeste Setentrional”.
“Por outro lado, o rio vem
sendo agredido há 500 anos”, explicou. “E possibilidade da transposição
trouxe a decisão política de revitalizar o rio. Revitalizar agora não é mais
uma palavra, é um projeto, com orçamento, com prazos, metas e já em franca
execução”.
Ciro Gomes explicou ainda que
“o desassoreamento do rio está sendo cuidado, com a formação de 5 milhões de
mudas para repor a mata ciliar nos 2.700 quilômetros de cada margem do rio e
em milhares de quilômetros de seus afluentes”.
Para o deputado, “a acusação
sobre falta de discussão sobre a transposição é incômoda”. Em relação à essa
questão, ele fez um apanhado sobre o processo de discussões que foi feito
com a sociedade civil através de entidades, técnicos, cientistas, como a
instalação do Comitê da Bacia do Baixo São Francisco, a mobilização dos mais
qualificados cientistas de todas as universidades brasileiras, a convocação
de mais de 70 audiências públicas para o licenciamento ambiental, discussão
e aprovação no Conselho Nacional de Recursos Hídricos – que reúne governo e
setores da sociedade civil -, além de debates com a OAB, CNBB, clubes de
engenharia e outras entidades que tivessem, de alguma forma, interesse,
relação e contribuição ao projeto.
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