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Torrijos homenageia
mártires da libertação do Canal do Panamá
“Uma
das maiores lições de Pátria do século XX”, afirmou o presidente do Panamá ao
inaugurar monumento que lembra jovens assassinados pelos EUA na luta pela
soberania sobre Canal
O
presidente do Panamá, Martín Torrijos, acendeu na quarta-feira a “chama eterna”
em monumento para homenagear os 23 panamenhos, em sua maioria estudantes,
assassinados em 9 de janeiro de 1964, numa brutal agressão do exército
norte-americano após tentarem levantar a bandeira de seu país na Zona do Canal
então sob controle dos Estados Unidos.
“Esta é, sem
margem de dúvida, uma das maiores lições de Pátria que recebemos no século XX.
Hoje, quando comemoramos esta saga da dignidade nacional, também valorizamos a
imensa conquista que dela se derivou: conseguir ser a nação soberana pela qual
tanto lutamos. Os intensos dias que há 44 anos enlutaram o Panamá são também o
início de outra etapa de
reivindicações que culminou em 1999,
quando
o canal passou às mãos do nosso país”, afirmou Torrijos, acompanhado por
Marcelina de Arosemena, mãe do primeiro panamenho morto pelas balas americanas,
o estudante Ascanio Arosemena.
A “chama
eterna” permanecerá acessa na antiga escola secundarista de Balboa, administrada
44 anos atrás pelos Estados Unidos, onde os estudantes tentaram erguer a
bandeira nacional.
O presidente
da Câmara dos Deputados, Pedro Miguel González, encabeçou outra homenagem
realizada no Monumento aos Mártires, localizado na importante avenida 4 de Julho.
“Aquele não foi um dia de festa, foi o dia em que os panamenhos se levantaram
com a frente altiva para exigir sua soberania e liberdade, e exigir o
cumprimento daqueles acordos que obrigavam aos EUA a içar nossa bandeira em
todos os centros educativos e escritórios públicos da antiga Zona do Canal”,
expressou González.
LEVANTE POPULAR
Em parques e
cemitérios, milhares de pessoas lembraram o levante popular em que, além dos
mortos, houve mais de 500 estudantes e civis feridos.
Os
enfrentamentos geraram a ruptura temporária de relações entre o Panamá e os
Estados Unidos – decretada pelo presidente do país Rodofo Chiari - e o início de
um movimento internacional para que Washington devolvesse o canal e retirasse os
milhares de soldados estacionados na região deixassem as 14 bases instaladas ali.
A luta pela
soberania teve seu ponto alto sob a liderança de Omar Torrijos, pai do atual
presidente, culminando em 7 de setembro de 1977 com a assinatura – com o então
presidente americano Jimmy Carter - dos tratados para a devolução da soberania
panamenha sobre o canal. A luta patriótica do país centro-americano não
arrefeceu e cobrou ainda a vida do seu principal líder em 1981. Torrijos morreu
em 1981 num acidente de aviação que nunca foi esclarecido, embora existem poucas
dúvidas de que foi vítima de um atentado armado pelos EUA.
O episódio
que abriu o caminho da retomada da soberania do canal teve início em 1963,
quando os presidentes Rodolfo Chiari e John Kennedy assinaram um acordo pelo
qual a bandeira panamenha devia ser içada em todos os lugares públicos da Área
do Canal, a partir de janeiro de1964. Ou seja, o acordo ainda não colocava em
questão a ocupação americana que dominava a passagem do Atlântico para o
Pacífico. Após o assassinato de Kennedy, Lyndon Johnson revogou a resolução
anterior sobre o hasteamento das bandeiras panamenhas.
BANDEIRA
Com a idéia
de impedir que seu país fosse brutalmente avassalado, centenas de estudantes do
Instituto Nacional, acompanhados por manifestantes civis, se dirigiram em forma
pacífica para a Escola de Balboa, localizada na Zona do Canal, para levantar a
bandeira panamenha.
A justa ação
foi impedida pelos norte-americanos residentes no local e um militar ianque
rasgou o símbolo pátrio.
Os jovens
estudantes retrocederam e retornaram para o outro lado do canal. Ao tentar a
passagem foram brutalmente atacados a bala pelo exército norte-americano, com o
saldo de 23 mortos e centenas de feridos.
Frente a
esses fatos, o governo panamenho decidiu romper relações com os EUA que foram
retomadas apenas três meses depois já com algumas concessões por parte do
governo dos EUA. A luta encabeçada pelos estudantes panamenhos havia aberto as
condições de exigir o fim do tratado de ocupação do canal, reivindicação que
assumida com firmeza por Omar Torrijos tornou-o o principal líder patriótico,
após chegar ao governo em 1968.
Os tratados
Torrijos-Carter garantiram a devolução ao Panamá do canal e a saída em 31 de
dezembro de 1999 de dezenas de milhares de soldados americanos das 14 bases
militares, incluindo a famigerada Escola das Américas (onde, entre outras
barbaridades, se realizavam treinamentos de torturadores a serviço de ditaduras
implantadas com apoio dos EUA na região) então situada no país latino-americano.
SUSANA SANTOS
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