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Evo reúne com
governadores pela integridade da Bolívia
O
presidente da Bolívia, Evo Morales, e os nove governadores do país – entre
eles os cinco separatistas opositores que representam a oligarquia que não
se conforma com a nacionalização do gás e a reforma agrária – avançaram na
discussão de um acordo para superar a crise política, numa reunião de quase
12 horas entre segunda e terça-feira passadas, e acertaram continuar as
conversações na semana próxima.
Na
reunião, realizada no palácio presidencial, o governo nacional e os
regionais determinaram a formação de equipes técnicas para avaliar
detalhadamente as questões em que as divergências são maiores, como a nova
Constituição aprovada pela Assembléia Constituinte, o corte de uma parcela
do repasse dos impostos que vai para os estados em favor de um bônus para as
pessoas maiores de 60 anos, e o processo autonô-mico articulado por quatro
regiões.
“Encontramos um princípio de acordo com base em seis pontos que voltaremos a
analisar na próxima segunda-feira em La Paz”, informou o ministro da
Presidência, Juan Ramón Quintana.
Assinalou que o governo apresentou uma proposta de pacto final que priorize
a “unidade nacional, o papel do Estado na economia, o apoio ao processo de
mudanças que permita superar as precárias condições de vida da maioria da
população – impulsionado pelo presidente – e a necessidade de continuar
aprofundando o processo democrático com o desenvolvimento das autonomias”.
O
governador da região de Santa Cruz, Rubén Costas, considerado o cabeça da
oposição, confirmou que “começamos a avaliar as pautas para um acordo
nacional”.
Mario
Cossío, governador da região produtora de gás de Tarija, declarou que os
temas da reforma constitucional, autonomias regionais e do Imposto Direto
aos Hidrocarbonetos (IDH) tem estado obstaculizando e tensionando as
relações, mas que agora as partes se dispõem a flexibilizar suas posições
para poder, antes de mais nada, sentar na mesma mesa e discutir as
divergências e as possíveis soluções.
O
ministro Quintana ressaltou que o governo está se esforçando para garantir
“um processo de compatibilização que resolva as contradições, que reflita as
aspirações e demandas de todos os bolivianos”. Afirmou também que o governo
não abre mão de um acordo para uma renda vitalícia para os maiores de 60
anos, mesmo que não tenham conseguido as contribuições obrigatórias para a
aposentadoria.
O vice-presidente
da Assembléia Constituinte, Roberto Aguilar, do Movimento ao Socialismo,
MAS, sublinhou a importância da reunião, mas alertou que a revisão do texto
constitucional dependerá de um acordo das 16 agrupações políticas, das que a
direita se marginalizou quando se aprovou a Carta Magna. “Superar as
divergências não pode e não vai ser o povo abrir mão de seus direitos e o
separatismo passar a valer. Significa estabelecer um patamar em que o país
possa avançar e crescer”, ponderou.
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