Philip Agee morre em Havana aos 72 anos
Ex-agente,
Philip rompeu com a CIA e denunciou os crimes da agência em livro
Faleceu aos 72 anos em Havana na segunda-feira,
dia 7, Philip B. Agee, ex-agente da Agência Central de Inteligência dos EUA
(CIA), que rompeu com a Agência em 1968.
Philip Agee lançou em 1975 o livro Inside the
Company: CIA Diary em que denunciou as práticas terroristas da agência de
espionagem norte-americana. O livro vendeu centenas de milhares de cópias e
foi traduzido para mais de 30 línguas. Na década dos 80, Agee e um grupo de
jornalistas publicaram o Boletim de Operações Encobertas, denunciando as
atividades de ingerência da Casa Branca.
Desde então, Philip dedicou-se a denunciar as
atividades terroristas, desestabilizadoras e subversivas do governo dos EUA
contra governos, cidadãos pessoas progressistas e revolucionários da América
Latina e Caribe.
Em declarações publicadas no ano passado, Agee
defendeu sua decisão de expor a CIA: “Houve um tempo nos anos 70 em que os
piores horrores imagináveis aconteciam na América Latina. Argentina, Brasil,
Chile, Uruguai, Paraguai, Guatemala e El Salvador eram ditaduras militares
com esquadrões da morte, todas com o apoio da CIA e do governo americano.
Foi isso que me motivou a dar todos os nomes e a trabalhar com jornalistas
que estavam interessados em saber quem era da CIA em seus países”.
A revelação das identidades de agentes obrigou
vários deles a voltar para Washington. Após ter sido deportado, Agee passou
vários anos na Alemanha com sua companheira, a bailarina Giselle Roberge, e
depois dividiu seu tempo entre Hamburgo e Havana. Em 1979 teve seu
passaporte americano cassado e nunca mais deixou Cuba.
A CIA acumulou 18 mil páginas de informação
sobre o ex-agente. O jornal cubano Granma descreveu Agee como um “amigo leal
de Cuba e fervoroso defensor da luta dos povos por um mundo melhor”.