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Marinha dos EUA desmente Pentágono sobre ‘incidente’
com os barcos iranianos
Oficiais da
Marinha dos EUA desmentiram a versão do Pentágono sobre o encontro entre
barcos iranianos e navios de guerra norte-americanos que cruzavam o estreito
de Ormuz no dia 6 de janeiro.
Segundo o
jornalista e articulista do inglês The Guardian, Gareth Porter, a versão
publicada pela mídia dos EUA e reproduzida por aqui foi da lavra do chefe do
departamento de Comunicação do Pentágono, Bryan Whitman.
A CNN foi a
primeira a divulgar que tripulantes dos barcos do Irã teriam ameaçado
“explodir” os navios de guerra ianques. Bárbara Starr da CNN reportou que
“oficiais militares” relataram que os iranianos não apenas fizeram “manobras
ameaçadoras” como transmitiram pelo rádio mensagens como “estou indo até
vocês” e “iremos te explodir”.
Coincidentemente Bush que percorria o Oriente para ‘convencer’ dirigentes
árabes a se perfilarem em sua cruzada contra o Irã. O usurpador se apressou
em dizer que os barcos do Irã criaram “uma situação perigosa”.
Oficias da
Marinha que estavam nos navios durante a abordagem pelos iranianos negaram a
história de Whitman. O comandante do cruzador Port Royal, Capt. David Adler,
desmentiu que tivesse sido ameaçado pelos barcos iranianos.
Questionada
se o ocorrido havia sido distorcido pelo Pentágono, a oficial responsável
pelas relações públicas da Quinta Frota, Lydia Robertson, não comentou
diretamente, mas declarou que “há perspectivas diferentes sobre o mesmo fato”.
Uma semana
depois da ocorrência, o oficial que comandava o destróier Hopper, Jeffery
James, disse aos repórteres que os iranianos foram embora “antes de chegar a
um ponto onde precisássemos abrir fogo”.
O comandante
da Quinta Frota, Kevin Cosgriff, lançou uma nota à imprensa no dia do
ocorrido relatando que “pequenos barcos” iranianos “manobraram próximos ao
Hoper (que liderava o comboio dos três navios)”. A nota não sugere que os
barcos iranianos ameaçaram os navios ou que isso quase resultou em disparos,
como foi dito pela mídia.
Ao contrário,
a nota soa como um procedimento de rotina: “Seguindo o procedimento-padrão,
o Hopper lançou alertas, na tentativa de estabelecer comunicação com os
pequenos barcos”.
A nota –
estranhamente ignorada por todos os veículos de imprensa centrais dos EUA -
não se refere a navios norte-americanos próximos de disparar nos barcos
iranianos ou a uma ameaça de que os navios norte-americanos iriam “explodir
em alguns minutos”, como histórias propa-ladas pela imprensa.
A CBS
relatou história semelhante, acrescentando que os barcos iranianos “lançaram
caixas na água que poderiam estar cheias de explosivos”.
Além disso,
a imprensa teve acesso e divulgou um vídeo onde aparece uma voz ameaçando os
navios americanos. No entanto, um oficial lotado na sede da Quinta Frota, em
Bahrein, declarou que “é comum que hackers intervenham nas freqüências VHF
usadas em transmissão de navio a navio para fazer comentários rudes”.
O governo do
Irã, através do porta-voz do seu parlamento, declarou que o “vídeo divulgado
pela Marinha dos EUA contém imagens de arquivo e o áudio foi fabricado”.
A TV estatal
do Irã apresentou um vídeo em que os barcos se aproximam dos navios dos EUA.
“Solicitamos que estabeleçam comunicação, se identifiquem e declarem suas
intenções”, ouve-se de um marinheiro iraniano dirigindo-se aos tripulantes
norte-americanos. Sons dos barcos podem ser ouvidos ao fundo da gravação. No
vídeo iraniano não se ouve nenhum outro som emitido a partir dos barcos.
Militares iranianos trataram o acontecimento como “ocorrência ordinária” e
destacaram: “isto acontece com bastante freqüência e, depois da
identificação de ambos os lados, a questão é resolvida”.
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