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Marcha convocada pela Confederação Nacional Campesina atravessa país rumo à
capital:
México: camponeses rechaçam tarifa zero a importados dos EUA
“A disputa é
entre o pequeno agricultor mexicano e grandes companhias multinacionais como a
Cargill”, denunciou o deputado Victor Quintana
Camponeses,
operários, sindicalistas e estudantes mexicanos iniciaram uma marcha que saiu de
todos os cantos do país em direção à capital, Cidade do México, onde será
realizada no dia 31, uma manifestação para repudiar a implementação final do mal
denominado tratado de “livre comércio” com os EUA e Canadá – o Nafta – em cujo
cronograma consta a supressão total de tarifas de importação para produtos
agropecuários em 1º de janeiro de 2008.
As organizações
camponesas que organizam o protesto, comandadas pela Confederação Nacional
Campe-sina, denunciam que a implementação total do Nafta escancara ainda mais a
entrada de alimentos importados dos EUA – fortemente subsidiados pelo governo
norte-americano - o que levará milhões de pequenos agricultores mexicanos à
falência.
O deputado do
Estado de Chihuahua, Victor Quintana, declarou que “a competição não é entre o
agricultor mexicano e o agricultor norte-americano, mas entre o agricultor
mexicano e grandes companhias multinacionais como Cargill, Conagra ou ADM”. Ele
acrescentou que marchas de produtores partiram de diversos estados, como
Tlaxcala, Morelos e Michaocán, para juntarem-se ao protesto do dia 31.
Os camponeses
exigem que alimentos básicos e estratégicos para a alimentação e para a
agricultura, de cujo clutivo os pequenos e médios agricultores mexicanos
dependem para viver, como o milho e o feijão, sejam retirados das normas lesivas
do tratado.
DEVASTAÇÃO
A Confederação
Nacional Camponesa (CNC) afirma que o Nafta, através da redução gradual das
tarifas, já levou dois milhões de camponeses ao desemprego e que se a extinção
total das taxas for mantida ocorrerá “uma devastação rural no México
impulsionando ainda mais a emigração”.
A marcha rumo à
capital partiu de diversas partes do país e o percorrerá durante mais de dez
dias, concluindo em um grande ato na Cidade do México, no dia 31, quando são
esperados centenas de milhares de manifestantes.
No Estado de
Chihuahua a marcha já conseguiu apoio de diversos municípios, incluindo até
mesmo três prefeituras pertencentes ao Partido Ação Nacional, do presidente
mexicano Felipe Calderón, defensor do tratado com os EUA.
A marcha que
partiu do centro-sul do país, onde há a maior incidência de produtores rurais,
inclui colunas de tratores e recebeu adesões e apoio nos município de Delicias,
Meoqui, Saucillo, La Cruz. Conchos, Camargo e Jiménez.
Os porta-vozes
das organizações agrícolas conclamaram também o Congresso, governadores e outras
autoridades estatais a somarem-se aos protestos para que o governo modifique
suas políticas para o campo.
“Aqueles no
governo que dizem que houve benefícios mentem, não conhecem o campo, não
conhecem os efeitos genocidas que o Nafta trouxe”, declarou Álvaro López, da
União Nacional dos Trabalhadores Agrícolas.
As organizações
também querem a proibição da plantação de milho transgênico e o aumento de
incentivos para aumentar a produção do alimento, além da inclusão na
Constituição mexicana da lei de Planejamento para a Soberania e Segurança
Agroa-limentar e Nutricional.”Não temos instrumentos para competir com os
grandes agricultores dos EUA, que vendem seu milho mais barato que os nossos”,
afirmou Lorenzo Mejia Morales, presidente da União Nacional dos Produtores de
Açúcar e Tortilhas.
IMPORTAÇÃO
A importação de
milho norte-americano pelo México aumentou em dez vezes entre 1993 (antes do
início da implementação do Nafta) e 2006, de acordo com a Secretaria de
Agricultura dos EUA.
Ramón Heredia,
presidente do Colégio de Economistas da província de Tabasco, declarou que a
partir de janeiro “um produtor agrário empobrecido, o mexicano, passou a
competir com outro poderoso e fortemente subsidiado, o norte-americano”.
A produção
anual de milho no México é de cerca de 19 milhões de toneladas, enquanto nos
Estados Unidos é de 300 milhões de toneladas.
Miguel Angel
del Hoyo, presidente da Câmara Agrícola e Pecuária de Torreón, considera que “o
mais arriscado” em relação ao Nafta é o fato de “os produtores não competirem
contra agricultores, mas contra as economias” dos Estados Unidos e Canadá.
A CNC denunciou
que, no caso concreto do feijão, segunda lavoura mais importante do México, 570
mil trabalhadores do campo perderão as condições de comercializar sua produção,
de cerca de 1,1 milhão de toneladas anuais. “Os produtores locais de feijão não
poderão competir com os dos EUA e Canadá. O cultivo está condenado a desaparecer,
com conseqüências sociais desastrosas”, acrescentou a entidade.
RODRIGO CRUZ
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