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Mesmo acusado de 15 assassinatos por lá,
insiste em ‘fazer a América’
Por que narcotraficante Juan Abadia prefere ser
transferido para os EUA?
Após acusar
o Canadá de “inundar os EUA” com comprimidos mistos de ectasy e
metanfetamina, o “Czar Antidrogas” de W. Bush, John Walters, voltou seu
canudinho contra o presidente Hugo Chávez, a quem chamou de “facilitador do
narcotrá-fico de cocaína para a Europa e outras partes”. A Real Polícia
Montada do Canadá desmentiu Walters e, de acordo com a Associated Press,
estranhou ainda que ele tivesse falsamente atribuído à polícia canadense
dados que inventou.
Quanto à
questão de quem “facilita” para o narcotráfico, o narcotra-ficante
colombiano preso no Brasil, Juan Carlos Ramirez Abadia, se prontificou a dar
US$ 35 milhões à Justiça brasileira para ser imediatamente extraditado para
os EUA, para fazer jus à “delação premiada”. Se fosse verdade que os EUA
“tratam com dureza” os barões do narcotrá-fico, Abadia, aliás “Chupeta” ou
“Lollipop”, tido como “mega-narcotraficante” e “chefe do Cartel do Vale do
Norte”, e acusado de 15 assassinatos nos EUA, não estaria com tanta pressa
de chegar lá.
Mas Abadia
tem em quem se mirar. Como os irmãos Ochoa, chefões do narcotráfico que,
graças à “delação premiada”, não só foram libertados pelo governo dos EUA,
como tiveram todas as acusações apagadas, preservaram o patrimônio
conseguido via tráfico e, após ligeira estadia nas prisões norte-americanas,
são hoje distintos e prósperos “pecuaristas” na Colômbia. Quanto à justiça
brasileira, recusou a “oferta” de Abadia.
A
Venezuela, que repeliu a provocação de Walters prontamente, rompeu com o DEA
em 2005 porque o órgão não passava de uma fachada para o golpismo do governo
Bush contra o país. Os “números” de Walters sobre a suposta cocaína que
estaria transitando pela Venezuela – “200 ou 300 toneladas métricas” – são
tão factíveis quanto a quantidade de comprimidos de ectasy com
metanfe-tamina que atribuiu aos “laboratórios do Canadá”, “2 milhões por
semana”. “Não sabemos de onde tiraram esse número”, rebateu o chefe do setor
antidrogas da Polícia Montada canadense, Paul Nadeau. “Quando olhei o
release, fiquei balançando a cabeça”, acrescentou Na-deau, que explicou que
o temerário número, ao contrário do que a declaração de Walters dizia, não
tinha nada a ver com a RPMC.
John
Walters é conhecido nos EUA, entre outras coisas, por adulterar estatísticas
para aparentar melhoras na falida política antidrogas do governo Bush.
Também é conhecido por se esquecer, sempre, que não haveria como fazer a
lavagem dos bilhões do narcotráfico sem a desinteressada, e claro, distraída,
colaboração dos grandes bancos norte-americanos. Como é mesmo o nome daquele
banco que, inadvertidamente, lavou muito dinheiro e até foi modestamente
multado? Citibank? Mas não é o único. Como as agências de notícias atribuem
a Abadia “movimentação de US$ 10 bilhões em dez anos”, e nada falam sobre
bancos, dá pra imaginar o tamanho do seu colchão.
Como nos
direitos humanos, os EUA também não têm a mínima condição de dar atestado, a
quem quer que seja, sobre “bom comportamento” antidrogas. Desde que
invadiram o Afeganistão, o país voltou a ser o recordista absoluto na
produção de ópio, a matéria prima da heroína, após esta ter sido erradicada
pelos talibans. Quem transformou uns bandidinhos pé-de-chinelo colombianos
em barões do tráfico internacional de cocaína foram as operações do governo
Reagan contra os movimentos revolucionários na América Central, financiadas
com o dinheiro do tráfico, como comprovado nos escândalos Irã-Contras e
CIA-crack. Já haviam feito o mesmo com a heroína no Triângulo Dourado (na
fronteira Birmâ-nia -China), contra a revolução chinesa; e depois, no Laos,
contra as revoluções no sudoeste asiático e a de libertação do Vietnã.
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