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Alarmismo
sobre febre amarela fez 31 vítimas por excesso de vacina
A forma
irresponsável com que a mídia vem tratando os casos da febre amarela já fez as
primeiras vítimas de um problema inexistente. O Ministério da Saúde registrou 31
casos de pessoas que apresentaram problemas decorrentes da revacinação, sendo
que duas pessoas registraram estado grave.
A
desinformação levou aos postos de todo o país milhares de pessoas que não
correriam nenhum risco de contaminação e, ao contrário, passam a ficar volúveis
aos possíveis efeitos da vacina, quando ela é tomada de forma desnecessária ou
exagerada.
Diversos
especialistas, além do próprio ministro da Saúde, José Gomes Temporão, vêm
denunciando a forma desumana com que o assunto está sendo tratado. “Muitos
analistas políticos e jornalistas continuam ignorando de maneira irresponsável a
determinação das autoridades sanitárias. O governo fala uma coisa e parte da
imprensa estimula outra coisa e isso é muito ruim. É preciso ter mais cuidado no
trato das questões de saúde pública”, declarou em entrevista, o ministro.
Temporão ainda responsabilizou os dois casos graves que foram registrados em
decorrência de overdose de vacina à cobertura dolosa da mídia. “Essas pessoas
internadas são, provavelmente, resultado desse clima de irresponsabilidade que
se criou”, afirmou.
O médico
Pedro Saraiva, clínico geral e nefro-logista, em carta ao jornalista Luiz Carlos
Azenha, denunciou que “os colunistas falam de epidemia com uma facilidade
incrível para quem não entende o que quer dizer o termo”. “O mais grave é que
estão criando pânico na população e levando a uma corrida desnecessária e
prejudicial aos postos de vacinação. A mídia informa mal aos leitores, e deixa
que o boca-a-boca crie teorias da conspiração contra o governo”, afirmou.
O médico
infecto-logista do Hospital Universitário da USP, Dr. Fábio Franco, afirmou que
“até o momento, não há nenhuma diferença de outros anos no caso da febre
amarela”. “Não acho que os meios de comunicação fizeram um trabalho bem feito.
Acho que foi um exagero porque a febre amarela é uma doença perigosa e tem que
ter credibilidade. A informação tem que ser contínua e educar a população. A
desinformação levou a uma busca irracional pela vacinação”, destacou.
Nos últimos
12 anos o Brasil apresenta média de 15 a 40 casos de febre amarela por ano. O
ano de 2000 registrou 85 casos. A mídia deve estar baseando-se nos 12 casos
confirmados de febre-amarela até agora para fazer alarde. Esses setores só se
esquecem de informar que, segundo o Ministério da Saúde, em acordo com os
especialistas e somente contrariando a opinião da mesma mídia histérica, não há
risco de epidemia de febre-amarela no país, já que somente é chamada epidemia a
situação em que ocorre o dobro, ou mais, de casos do que a média habitual em
determinada região.
Os casos
ocorridos até agora foram registrados em áreas endêmicas do Brasil. O vírus
amarílico vive em macacos e essas áreas só poderiam deixar de ser consideradas
endêmicas caso esses animais deixassem de existir. O risco de contaminação
existe para as pessoas que entrarem nessas áreas sem se vacinar, e somente para
elas, como sempre existiu. Ao contrário do que está sendo divulgado, a
orientação de se vacinar é somente para aqueles que desde 1999 não receberam
dose da vacina, morem nas regiões de risco ou irão visitar as matas de alguma
dessas áreas.
A solicitação
da Secretaria de Vigilância de Saúde é para que as secretarias estaduais de
saúde reforcem o alerta sobre os riscos de revacinação contra a febre amarela. O
intuito é prestar esclarecimentos acerca da falsa campanha promovida pelos
setores que buscam incitar o caos e o pânico dentre os que mais dependem dessas
informações: a população.
FERNANDA CALVI
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