DEM aperta cerco por Kassab e Alckmin diz que não abre mão da candidatura a
prefeito
A presença do tucano José Serra em um jantar na
segunda-feira, que a cúpula do DEM/PFL, reunida em São Paulo para o conselho
político do partido, organizou com o intuito de sacramentar o apoio à reeleição
do prefeito da capital, Gilberto Kassab, provocou irritação entre partidários de
Geraldo Alckmin. Em campanha para ser indicado candidato à prefeitura paulistana
pelo PSDB, o ex-governador engatilhou o contra-ataque.
“O Serra não esconde sua preferência por Kassab,
mas as bases querem o candidato mais forte para fortalecer o partido em 2010, e
não uma aliança para fortalecer o projeto de um presidenciável. Até porque Serra
não é o único pré-candidato a presidente”, disparou o deputado estadual Silvio
Torres (PSDB/SP).
Animados com o apoio explícito do governador
paulista, além de outras figuras de ponta do tucanato, os dirigentes do DEM/PFL
contam com a possibilidade de, pressionado, Alckmin preferir postergar seu
projeto eleitoral para a sucessão no governo estadual em 2010. No caso do tucano
não aceitar a oferta, prometem seguir com a candidatura à reeleição do prefeito
paulistano, rompendo a aliança nacional para 2010 e atropelando Alckmin.
“Acho que a candidatura de Kassab é forte.
Quando chegar em maio, eu não tenho dúvidas de que ele continuará trazendo votos
para o nosso lado e estará na frente do ex-governador Geraldo Alckmin. Acredito
que ele sairá com o PSDB”, declarou o deputado Rodrigo Maia (RJ), atual
presidente da sigla, rechaçando Kassab com vice do ex-governador.
Para discutir meios de fortalecer o
ex-governador, os aliados de Geraldo Alckmin também organizaram um jantar
segunda-feira, na casa do deputado Bruno Covas, com a presença de nove deputados
da bancada estadual. Na reunião, eles avaliaram que não haveria razão para
desistir da candidatura própria, apoiando Kassab para favorecer Serra em 2010,
já que o governador (José Serra) não é o único presidenciável do PSDB.
“O projeto 2010 passa em ter como vitrine maior
a prefeitura da capital”, ressaltou Bruno, considerando que uma aliança com os
ex-pefelistas só seria possível na hipótese do atual prefeito apoiar Geraldo
Alckmin. “No momento em que definirmos nossa candidatura vamos esperar o apoio”,
disse. “O DEM ficou três anos na prefeitura porque deixamos. Está bom demais
para eles. Agora ficam exigindo muito”, alfinetou o deputado Pedro Tobias.