Militares rejeitam protelação do reajuste de seus salários
As declarações do ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo, de que o governo iria suspender os reajustes salariais dos
servidores públicos até recompor o Orçamento, e do ministro da Defesa, Nelson
Jobim, que jogou para a segunda quinzena de fevereiro a retomada das negociações
com os militares, aumentaram ainda mais as insatisfações nos quartéis e
associações de militares.
Tal situação e a possibilidade de cortes nos
recursos destinados para o reaparelhamento das Forças Armadas fizeram com que o
vice-presidente da República, José Alencar, que já foi ministro da Defesa,
defendesse o reajuste dos militares: “A manutenção da previsão orçamentária para
o ano de 2008 é imprescindível ao atendimento das necessidades mais prementes e
imediatas das três forças, tanto no que diz respeito ao reaparelhamento material
como na atualização dos soldos, fazendo-se justiça”.
No artigo, Alencar chama a atenção que “há
muitos anos temos relegado a plano secundário o reaparelhamento das Forças
Armadas nacionais, preocupação que deve estar presente na cabeça não apenas de
cada homem público, mas de todos os brasileiros”.
Já são mais de dois anos que os militares
aguardam a reposição de parte das perdas salariais acumuladas. Já havia um
compromisso do governo para reparar o problema. Até o final do ano passado já
era dado como certo um acordo que previa um reajuste que variava entre 27,62% a
37,04%. Entretanto, as declarações evasivas de integrantes da equipe econômica e
do Ministério da Defesa provocaram indignação entre os militares.
Para o presidente da Confederação Nacional da
Família Militar (Confamil), capitão Waldemar Campello Filho, “essa atitude de
desinteresse e descaso nos entristece. As Forças Armadas são dependentes das
decisões do ministro (Jobim) e se o cara não tem o feeling para perceber o que a
corporação está passando, fica difícil. Mas não se pode botar a tropa na rua e
chutar o pau-da-barraca. Confiamos nos chefes militares e acreditamos que eles
sabem o porquê desta decisão”.
Para ver a situação em que se encontram os
salários dos militares, basta compará-los com os de outros setores do serviço
público federal. Um tenente da PM de Brasília – cujo salário é pago pelo governo
federal – recebe R$ 7,900,00, enquanto um tenente da Marinha recebe um soldo de
R$ 3.500,00. Um sargento da PM do DF ganha R$ 5.500,00 e um sargento da
Aeronáutica apenas R$ 1.800,00.
Tentando arrefecer os ânimos após as declarações
de Paulo Bernardo, o Comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, lançou
nota afirmando que após uma reunião do ministro da Defesa com o presidente Lula
ficou acertado que “estão mantidos os entendimentos para o reajuste salarial dos
militares, aguardando-se somente a recomposição da proposta orçamentária que
deverá ocorrer em meados do próximo mês”.
Porém, uma outra nota emitida pelo Ministério da
Defesa, em 12 de janeiro, voltou a gerar insegurança nas Forças Armadas. Embora
busque assegurar que as negociações irão prosseguir, a nota não dá garantias de
que o aumento será dado e ainda fala que o ministro Nelson Jobim “jamais
prometeu qualquer índice específico de reajuste”.
Os familiares de militares pretendem fazer no
próximo dia 31 um ato em Brasília para demonstrar a necessidade de aumento do
soldo.