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Palestinos
rompem o cerco israelense na Faixa de Gaza
350.000
palestinos atravessaram a fronteira com o Egito para comprar alimentos e
combustível, enfrentando a pretensão do governo israelense de impor regime do
Gueto de Varsóvia em Gaza
Centenas
de milhares de palestinos entraram no Egito na quarta-feira, 23, atravessando a
fronteira a partir da cidade de Rafah, situada ao sul da Faixa de Gaza, após uma
explosão destruir parte do muro que separa o país de Gaza, onde os moradores
enfrentam escassez de produtos básicos – entre eles comida e remédios –
provocada por um criminoso cerco israelense ao território habitado por 1,5
milhões de pessoas. A ONU estimou que 350 mil palestinos cruzaram a fronteira na
quarta-feira, pois até mesmo ajuda humanitária estava impedida de entrar em
Gaza.
A maioria da
população também está sem energia elétrica e água potável depois que a única
usina de energia deixou de receber combustíveis para gerar energia.
Nos últimos dias,
as padarias deixaram de produzir por ausência da energia e de farinha de trigo.
Os moradores de Gaza, segundo informou a Al Jazeerah, relatam que devido ao
bloqueio caiu drasticamente o consumo de leite e carne. O preço da carne dobrou.
Durante a
quarta-feira o presidente do Egito, Hosni Mubarak, anunciou que as forças de
segurança egípcias não impediriam a entrada pacífica e em massa dos palestinos
“que sofrem de fome por causa do bloqueio israelense”.
CERCA DERRUBADA
Na madrugada da
quarta-feira, 15 buracos com foram abertos com explosivos na cerca fronteiriça
que separa o Egito de Gaza. Em um dos pontos, foram derrubados 200 metros da
cerca metálica de 6 metros de altura. Pela manhã, escavadeiras derrubaram o
resto da estrutura.
Vindos de todos
os cantos de Gaza, os milhares de palestinos seguiram para o sul do Egito a pé,
com automóveis, ônibus e carretas puxadas por burros, para comprar os alimentos,
remédios e combustíveis.
Quatro
palestinos em cadeiras de roda eram empurrados na estrada em busca de tratamento,
pois os hospitais palestinos estavam sem energia elétrica devido à falta de
combustível para a única usina que existe em Gaza. “A escolha é entre cortar a
energia nas maternidades ou para os pacientes nas salas de cirurgia”, relatou o
funcionário de Saúde de Gaza, Moaiya Hassanain.
O cerco é um
recrudescimento do bloqueio que fez deteriorar as condições de vida na região
após meses de duração. O pretexto utilizado para a operação que lembra as
punições dos nazistas alemães contra judeus no Gueto de Varsóvia é o lançamento
de foguetes Qassam por partidários do Hamas e Jihad Islâmico. Além do estrago
ser infinitamente menor do que o bloqueio e os bombardeios – que já tiraram a
vida de 160 palestinos desde o encontro de Annápolis, em 27 de novembro – é
evidente que o que causa as ações com foguetes são as agruras impostas aos
palestinos por uma ocupação que já perdura 40 anos e também é mais do que claro
que genocídio nazista sobre toda a população só contribuem para ações
desesperadas como o lançamento dos Qassam, que causaram ferimentos em menos de
uma dezena de israelenses.
Como afirma o
Centro Alternativo de Informações, com sede em Jerusalém, “se o governo de
Israel quizesse acabar com os Qassam faria a paz e se retiraria de todos os
territórios palestinos” que não atingiram nenhuma casa e não mataram nenhum
israelense. “Israel alega que o bloqueio irá ajudar a acabar com o governo do
grupo radical islâmico Hamas na Faixa de Gaza, porém, a justificativa é similar
à usada pelo ex-ministro Ariel Sharon em outra operação de chacina em 2002: em
ambos os casos o Hamas acabou se fortalecendo”, diz o Centro em seu editorial.
Todos os
embaixadores dos quinze membros do Conselho de Segurança da ONU, com a exceção
dos EUA, demonstraram sua oposição ao bloqueio israelense, que foi qualificado
como “inaceitável”.
“Israel deve
colocar fim às restrições para a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza,
ajudando a melhorar as condições aberrantes em que se encontram os habitantes da
região”, disse Louise Arbour, comissária para direitos humanos da ONU.
O delegado
palestino na ONU, Ryad Mansour, afirmou perante o Conselho que, desde a
conferência para o Oriente Médio na cidade americana de Annapolis, em 27 de
novembro, “mais de 160 palestinos foram mortos pela potência ocupante, incluindo
pelo menos 12 crianças e nove mulheres, a maioria de mortos ou feridos em Gaza”.
A arrogância com
que foi praticado e mantido o cerco apesar da condenação mundial mostram que a
turné de Bush pela região - passando por Israel poucos dias antes do crime
contra os palestinos - deu-lhe o seu aval.
REPÚDIO
Na terça-feira,
22, o Movimento dos Países Não-Alinhados já havia condenado, no Conselho de
Segurança, os ataques de Israel contra a população civil palestina na Faixa de
Gaza, principalmente o mais recente deles, que deixou um saldo de 19 mortos e 50
feridos.
O embaixador
cubano Isidoro Malmierca, presidente do Bureau de Coordenação dos Países
Não-Alinhados, declarou que “esta situação suscita grande preocupação no
Movimento dos Países Não-Alinhados, uma vez que tais ações ilegais por parte de
Israel provocaram a morte de mais de 160 civis palestinos, inclusive, de
crianças e mulheres, no último mês meio”, manifestou o diplomata.
Além disso,
ressaltou que a escalada violenta de Israel constitui uma grave violação do
direito internacional, inclusive, do direito internacional humanitário e o
referente aos direitos humanos, e exacerba o ciclo de violência.
O embaixador
sublinhou que tais agressões põem em perigo a paz e a segurança internacionais,
bem como o processo de paz entre ambos os países debilitado pelas agressões de
Israel.
O Conselho de
Direitos Humanos da ONU convocou uma reunião especial para tratar da questão e a
reação israelense foi de sabotar o encontro, deixando de ir ao lugar onde teria
que prestar contas de seu crime diante da comunidade internacional. Solidário
com a agressão, Bush orientou sua delegação em Genebra a não comparecer.
RODRIGO CRUZ
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