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EUA faz o maior corte de juros
na tentativa de conter a crise
Em pleno
feriado nacional – segunda-feira dia 21 -, o presidente do banco central dos
EUA (Fed), Ben Bernanke, resolveu baixar às pressas a taxa básica de juros
em 0,75%, na maior redução em 25 anos, e de uma só tacada
Em pleno feriado – segunda-feira dia 21 -, o
presidente do banco central dos EUA (Fed), Ben Bernanke, no relato do “The
Wall Street Journal, “piscou”. A atenta observação se refere à decisão do
Fed de baixar, às pressas – e bota pressa nisso -, a taxa básica de juros
nos EUA, em 0,75%, no maior corte em 25 anos, e de uma só tacada. Note-se
que havia uma reunião regulamentar do Fed marcada para dali a uma semana.
Mas parece que não dava para esperar. A última
vez que havia ocorrido um corte, em um só dia, dessa magnitude, foi em 1982,
no caso, de 1%. Na época, segundo o “The New York York Times”, o Fed
avaliava que pelo menos “790 bancos” estavam “prestes a quebrar”. De acordo
com o WSJ, em 1991 o Fed fez reduções, por três vezes, de 1% na taxa de
redesconto, cobrada nos empréstimos diretos do BC dos EUA aos bancos. A
última vez que o “Fed” havia se reunido fora da data marcada foi logo após o
11 de Setembro. Quanto ao “tamanho” do corte, como notou a revista inglesa
“The Econo-mist”, “mesmo o Fed sob Alan Greenspan, que cortou as taxas de
juros de 6,5% a 1% nos anos iniciais da década, nunca fez um corte de mais
de 0,50% de uma só vez”.
“SURPRESA”
“A redução de surpresa” – como classificou a
Associated Press – levou a taxa básica de 4,25% para 3,5%. Antes, Bernanke
havia reduzido o juro em setembro (0,50%) (na chamada crise do ‘aperto de
crédito’) e em outubro (0,25%) e dezembro (0,25%). Agora, segundo a “The
Economist”, os ‘mercados futuros” estão prevendo uma nova redução adicional
de pelo menos 0,25% no dia 30 de janeiro, data da reunião marcada desde
dezembro. “Presumivelmente os mercados possam conseguir se manter até lá”,
acrescentou a revista, que chamou as decisões do Fed de “Medidas
Desesperadas”.
Alguns órgãos da mídia internacional quiseram
atribuir a decisão de Bernanke de antecipar o corte da taxa de juros à
derrubada nas bolsas de valores no mundo inteiro, em um dia em que era
feriado nos EUA. Outros viram o gatilho da derrubada de segunda-feira no
pífio pacote econômico anunciado por W. Bush, no valor de US$ 150 bilhões,
que basicamente cortou impostos dos ricos. Houve até quem quis acreditar que
foi o encolhimento nos empregos.
ESCORA
Mas, precisava ser no meio do feriado? Não dava
para esperar uma semana? Para a “The Economist”, “é difícil não chegar à
conclusão de que o Fed agiu para escorar os mercados, que tinham
alarmantemente mudado para modo de pânico rapidamente no decorrer da semana
passada”. Assim, destacou a revista inglesa, esse movimento apenas uma
semana antes [da reunião já marcada] “levanta a suspeita de que o Fed saiba
algo que os mercados não saibam”.
Nessa linha de raciocínio, a revista registra
que houve apenas um voto em oito, contra. O de William Poole, que alegou que
“as coisas não estavam suficientemente ruins para exigir ação tão próximo de
uma reunião regular”. Continuando, ela aponta que o fato de que “ninguém
mais tenha sido influenciado por esse argumento sugere que a maior parte do
comitê está agora ou muito preocupado sobre o panorama econômico ou que haja
um sério risco de um desmanche do mercado financeiro”.
Para o economista-chefe do Bank of
Tokyo-Mitsubishi, Christopher Rupkey, o movimento do Fed foi para “tentar
parar o pânico” das bolsas. No comunicado de justificativa do Fed, a decisão
repentina deveu-se a que “as condições mais extensas do mercado financeiro
continuam a se deteriorar e o crédito tornou-se mais apertado para alguns
empresários e proprietários de casas. Mais ainda, dados recentes indicam um
aprofundamento da contração do setor imobiliário bem como atenuação nos
mercados de trabalho”. Após o corte de juros, se agudizou a percepção sobre
a crise em curso nos EUA e a recessão.
SEGURADORAS
À parte as questões mais de fundo sobre a
economia dos EUA, uma busca na mídia imperial permite encontrar uma pista
sobre uma razão mais comezinha para a pressa toda. Informa o “Financial
Times” – e também o “The Wall Street Journal” - que na sexta-feira, dia 18,
a agência de classificação de riscos Fitch rebaixou uma das maiores
seguradores dos bônus usados na especulação, a Ambac, de triplo A para AA-,
e que idêntica ameaça recaía sobre a MBIA.
O problema é que essa classificação tem servido,
até aqui, para evitar que cerca de US$ 305 bilhões em títulos
“colaterizados” em mãos de grandes bancos dos EUA e mais US$ 88 bilhões, de
fora do país, virem pó. Ou seja, baixa, rombo, de US$ 400 bilhões nos
supostos ativos desses bancos. Essas seguradoras também estão carregando U$S
2 trilhões de papéis em títulos de municipalidades dos EUA. “A garantia [das
seguradoras de bônus] têm permitido que os bancos não tenham de dar baixa
dos valores dessas posições”, disse ao FT um “analista do UBS” (o maior
banco suíço e maior da Europa).
EMERGÊNCIA
Na quarta-feira, depois de abrir em queda com
notícias como os resultados aquém do esperado da Apple e redução de 84% dos
lucros da Motorola no último trimestre do ano passado, a bolsa de Wall
Street deu um suspiro. É que as autoridades reguladoras do seguro estariam
discutindo com os “grandes bancos” um socorro de emergência às seguradoras
Ambac e MBIA para mantê-las à tona. US$ 5 bilhões já, e pelo menos mais US$
10 bi proximamente. Acrescenta o jornal que “a menos que quantidades
significativas de capital fresco sejam levadas logo”, o rebaixamento deve
ser seguido “pela Moody’s e a Standard & Poors”.
Não é à toa que o ex-diretor do Fed, Lyle
Gramley, afirmou ao WSJ que [o Fed] não agir “era o risco maior”. Já o
economista Vincent Reinhardt, também ex-membro do Fed, agora no American
Enterprise Institute, alertou que “se os mercados desabarem depois que você
tiver agido”, a credibilidade “fica ameaçada”. “Se o pânico de mercado
recomeça, você se vê diante da questão, qual é o plano B?”
ANTONIO
PIMENTA
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