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Governo Bush lançou 935 afirmações
mentirosas para ocupar Iraque, conclui estudo
O Centro para a Integridade Pública e o Fundo
para a Independência do Jornalismo, duas entidades norte-americanas,
divulgaram na terça-feira, 22, as conclusões de um estudo conjunto sobre
informações falsas emitidas pela Casa Branca durante os dois anos
seguintes ao ataque de 11 de setembro. Bush e seu gabinete fizeram 935
afirmações mentirosas acerca do Iraque, apurou o estudo.
Essas declarações “foram parte de uma campanha
orquestrada que galvanizou a opinião pública e levou o país a uma guerra com
justificativas decididamente falsas”, indicou o relatório.
Antes da invasão militar que derrubou o governo
do presidente Sadam Hussein em março de 2003, o governo Bush afirmou que o
líder iraquiano estava envolvido com o terrorismo e desenvolvia armas de
destruição em massa.
“Agora não existe nenhuma dúvida de que o Iraque
não tinha armas de destruição em massa ou contatos com a Al-Qaeda”,
escreveram Charles Lewis e Mark Reading Smith, membros do Fundo em um
prólogo do estudo.
“Em resumo, o governo Bush levou o país a uma
guerra fundamentada em informação errônea que se propagou metodicamente e
que culminou com a ação militar contra o Iraque em 19 de março de 2003”,
afirmaram.
Segundo o estudo, além de Bush, fizeram
declarações falsas seu vice-presidente, Dick Cheney, a conselheira de
Segurança Nacional, Condoleezza Rice (atual secretária de Estado), o
ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld, e o ex-secretário de Estado Colin
Powell.
Bush foi o autor de 259 dessas declarações, 231
sobre as supostas armas de destruição em massa e 28 sobre os vínculos do
Iraque com a Al-Qaeda, relata o estudo.
Acrescentou que o efeito acumulado dessas
afirmações foi enorme e que os meios de comunicação seguiram a corrente do
governo. “Alguns jornalistas, e algumas organizações de imprensa,
reconheceram que durante os meses anteriores à guerra adotaram uma atitude
condescendente e sem críticas” em relação ao governo, acrescenta o estudo.
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