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Thomas Kent, advogado do Departamento de Justiça dos EUA denuncia:
DEA opera com narcotráfico
e paramilitares na Colômbia
Memorando de Kent descreve ação criminosa do DEA ajudando paramilitares,
negociando com narcotraficantes e assassinando informantes que pudessem colocar
as suas atividades em risco
Agentes
federais da Administração de Combate às Drogas dos EUA (DEA, sigla em inglês)
estão na lista de pagamento dos traficantes de drogas colombianos, ajudam os
narcotraficantes e paramilitares a lavar dinheiro e são cúmplices nos
assassinatos de informantes que “sabiam demais”, afirma o memorando assinado
pelo advogado do Departamento de Justiça norte-americano, Thomas M. Kent.
O
memorando de Kent vai além em suas afirmações de que, em vez de serem algumas
“maçãs podres” que necessitam ser denunciados aos superiores, estes agentes
estão sendo acobertados pelo Departamento de Justiça de Bush. Ele descreve
categoricamente o envolvimento dos agentes federais da DEA na Colômbia com o
narcotráfico, assassinatos, lavagem de dinheiro e conspiração.
Em 19
de dezembro de 2004, Thomas Kent - advogado da unidade de intervenção telefônica
da Seção de Drogas Perigosas e Narcóticos (NDDS) – enviou um relatório a seu
chefe de seção com cópia a outros altos funcionários do Departamento de Justiça
e da DEA sustentando as denúncias envolvendo os agentes federais na Colômbia. O
memorando foi de 2004, mas se tornou público apenas “após o esgotamento dos
canais internos de investigação no Departamento de Justiça”, segundo informa o
jornalista Bill Conroy no Narco News Bulletin.
SABOTAGEM
Kent
disse que suas denúncias foram abafadas e reprimidas pela direção do DEA. Ele
sustenta que o Escritório de Responsabilidade Profissional do DEA e que
elementos do Escritório do Inspetor Geral do Departamento de Justiça trabalharam
para encobrir as denúncias de corrupção. Segundo Kent, esses escritórios – que
deveriam servir como agências de monitoramento que investigam corrupção –
sabotaram as investigações levadas adiante por agentes do próprio DEA da Flórida
e por um agente do Escritório do Inspetor Geral.
O
advogado descreve que muitas investigações, “incluindo a operação Snowplow”,
identificaram agentes corruptos no interior da DEA. Em uma dessas investigações,
um dos agentes em Bogotá foi apanhado em conversas telefônicas discutindo
atividades criminosas relacionadas ao grupo paramilitar Autodefesas Unidas da
Colômbia (AUC).
A AUC é
reconhecida, até mesmo pelo Congresso norte-americano, por sua brutalidade e
assassinatos de civis. Apenas no ano de 2001 a AUC cometeu mais de 100 massacres
e assassinou 1015 civis na Colômbia.
Kent
sustenta, no memorando, que durante a gravação telefônica, o agente do DEA em
Bogotá “expõe seu envolvimento em lavagem de dinheiro para a AUC”. O agente não
foi repreendido, ao contrário, “foi promovido e é agora responsável por
numerosas investigações de narcóticos e lavagem de dinheiro”, acrescenta Kent.
Ele
detalha em seu memorando outros três casos graves, todos envolvendo agentes
federais do DEA em Bogotá. As investigações relatadas afirmam que os agentes
perseguiam e conspiravam para assassinar informantes colombianos que ameaçavam
“derrubar suas atividades”. Segundo o jornalista Bill Conroy, cuja matéria,
detalha as informações contidas no memorando, essas acusações de corrupção
envolviam dossiês iniciados em 1999 e 2000, resultantes de meses de
investigação.
Recentemente o governo norte-americano tentou vincular o governo Chávez com o
narcotráfico, após a Venezuela declarar que a DEA utilizava seu escritório em
Caracas como centro de espionagem dos dirigentes venezuelanos e que colaborava
com organizações empenhadas em derrubar o governo constitucional.
GOLPISTAS
Em 9 de
maio de 2004, mais de 100 paramilitares colombianos foram presos pelo governo
venezuelano a aproximadamente 80 quilômetros de Caracas. De acordo com as
investigações, levadas a cabo pelo governo da Venezuela, estes paramilitares
estavam preparando uma operação de ataque a uma instituição militar, utilizando,
para isso, uniformes do exército venezuelano com o propósito de gerar confusão e
caos para facilitar ações golpistas no país.
Kent,
por sua vez, já não está mais na Seção de Drogas Perigosas e Narcóticos (NDDS)
do Departamento de Justiça, foi transferido para uma delegacia do Departamento
na cidade de Nashville. Enquanto isso, o chefe da Seção, Jodi L. Avergun, a quem
Kent se reportou no memorando, e que não tomou nenhuma providência quanto às
denúncias nele formuladas, após sair daquela Seção do Departamento de Justiça,
chegou a ocupar o cargo de diretor do DEA.
“Por
quanto tempo nações na América Latina e em outras regiões do mundo vão assistir
à presença de ‘combatentes das drogas’ em suas terras, quando estes agentes se
enterram até o pescoço no comércio de drogas que supostamente tentam varrer, com
impunidade completa e proteção de seus superiores nos EUA?”, questiona o
jornalista Bill Conroy. Quanto a isso, o próprio Kent tem uma resposta precisa:
“É só uma questão de tempo para que isto exploda”, alerta em sua
correspondência.
RODRIGO CRUZ
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