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Lula diz
que não haverá mais leilões de petróleo
Durante um encontro com intelectuais em Araraquara, no mês passado, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não haverá mais leilões de
blocos petrolíferos e que o governo está elaborando uma nova Lei do
Petróleo. Lula disse ainda que será criado um Fundo para a educação e a
saúde com recursos oriundos das descobertas de petróleo no pré-sal. O relato
foi feito por Emir Sader, que esteve na reunião com Lula, em seu blog na
Agência Carta Maior.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e o presidente da Petrobrás,
José Sérgio Gabrielli, já se manifestaram contrários à realização de
licitações com o atual marco regulatório do setor, defendendo mudanças na
lei. Segundo Lobão, o governo já decidiu que a 10ª Rodada não será realizada
e a 8ª, suspensa pela Justiça, dificilmente será retomada. “A décima não
[será feita]. E a oitava estamos decidindo nessa direção”, declarou.
“Nossa posição é que a 8ª Rodada, se for realizada, não deveria conter os
blocos que estão nas franjas do pré-sal. Se retomarmos a rodada com as
franjas do pré-sal, estaremos dando aos participantes grandes chances de
achar um bilhete premiado”, frisou Gabrielli.
As rodadas de licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP) foram
introduzidas no Brasil a partir da promulgação da Lei nº 9.478/97, no
governo Fernando Henrique, com o objetivo de transferir as reservas
brasileiras de petróleo e gás para o cartel das Sete Irmãs. Tal lei, através
da qual também foi criada a ANP, repassou à agência a “regulação” das
atividades econômicas ligadas ao petróleo, que tem se resumido à realização
dos leilões. Mesmo assim, tendo que atuar nos marcos dessa aberração imposta
na gestão tucana, a Petrobrás conseguiu sair vencedora nas sete rodadas de
licitações realizadas entre 1999 e 2005, adquirindo cerca de 70% dos blocos
oferecidos.
Foi então que apareceu em cena um certo Nelson Narciso Filho, guindado para
a diretoria da ANP diretamente da Halliburton, onde atuou como diretor em
Angola. Para acelerar a entrega do petróleo ao cartel das “Sete Irmãs”, para
a 8ª Rodada, marcada para acontecer nos dias 28 e 29 de novembro de 2006,
Narciso estabeleceu que a Petrobrás só poderia adquirir no máximo 11% dos
blocos em oferta, liberando a maior parte para Exxon, Chevron, Texaco, BP,
entre outras transnacionais. Ou seja, a Petrobrás, que havia descoberto o
petróleo que seria colocado em leilão, sofria restrições para benefício das
corporações estrangeiras. Contudo, a 8ª Rodada foi suspensa em função de
ações movidas na Justiça, como a do Clube de Engenharia.
Na 9ª rodada, ocorrida em novembro do ano passado, inicialmente iriam ser
oferecidos 312 blocos em Campos (RJ), Santos (SP), Espírito Santo,
Pará-Maranhão, Parnaíba (PI), Pernambuco-Paraíba, Potiguar (RN), Recôncavo
(BA) e Rio do Peixe (PB). Por determinação do governo, foram retirados 41
blocos nas bacias de Campos, Santos e Espírito Santos, na área do pré-sal,
onde havia sido descoberto pela Petrobrás o gigantesco campo de Tupi, na
bacia de Santos.
Além da retirada dos blocos, a reunião do Conselho Nacional de Política
Energética (CNPE), com a participação do presidente Lula, decidiu que fossem
realizados estudos para “as mudanças necessárias no marco legal que
contemplem um novo paradigma de exploração e produção de petróleo e gás
natural”. A ANP, no entanto, segue defendendo a retomada da 8ª Rodada e a
realização da 10ª, aventando um suposto comprometimento da auto-suficiência
em petróleo a partir de 2010, como se fosse esses leilões, e não as
descobertas da Petrobrás, que levaram o Brasil a não depender da importação
de petróleo.
VALDO ALBUQUERQUE |