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Professores exigem
aumento digno e melhores condições de ensino em SP
Paralisação iniciada dia 13 de junho cresce e já conta com apoio de 60%
das escolas do Estado
Portando
faixas, bandeiras e cartazes, cerca de 60 mil professores decidiram, em
assembléia no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, sexta-feira,
manter a greve iniciada em 13 junho, rechaçando a proposta de 5% de
reposição salarial anunciada pelo tucano José Serra e exigindo a
retirada do decreto que assalta direitos da categoria.
“A greve continua pelo fim do decreto lei do governo Serra,
que penaliza ainda mais o professorado. Exigimos a abertura imediata das
negociações pela reposição das perdas salariais, pois chegamos ao caos”,
afirmou Maria Izabel, que tomou posse como nova presidente da Apeoesp
(Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo).
Bebel esclareceu que “o aumento anunciado pela Secretaria da Educação de
12%, na verdade representa 5%. Os outros 7%, equivalem à GTE
(Gratificação por Trabalho Educacional) concedida no ano 2000 no valor
de R$ 40,00 para 20 horas, R$ 60,00 para 30 horas e R$ 80,00 para 40
horas trabalhadas”. Mesmo assim, esclareceu, a proposta indecorosa
excluía os aposentados e pensionistas: “tivemos que ir à Justiça e
ganhamos o processo, estendendo aos inativos”.
PASSEATA
Após o ato, os docentes saíram em passeata pelas
principais avenidas até a Praça da República, esclarecendo a população
sobre a razão de reprovar os “ajustes” propostos pela Secretaria da
Educação no decreto, e reivindicando reajuste salarial que reponha as
perdas acumuladas desde 1998; garantia de emprego a todos; melhorias nas
condições de trabalho para a garantia de um processo de
ensino-aprendizagem com qualidade, entre outros itens.
De acordo com a líder dos docentes, “no lugar de provinhas,
como estabelece o decreto, o que nós queremos é a abertura do concurso
público classificatório para efetivar os 95 mil professores”. “Hoje, a
greve atinge em torno de 60% da categoria na capital e na Grande São
Paulo, além de cidades importantes como Americana, Limeira e Piracicaba.
A ditadura e a intransigência da secretária é tamanha que, na
sexta-feira, fomos convocados para uma audiência com a Procuradoria do
Trabalho e ela, por arrogância, não compareceu”.
“A valorização dos professores ns dias de hoje virou apelo
popular. O nosso movimento conta com o apoio do CPP (Centro do
Professorado Paulista), da Afuse (Associação dos Funcionários na
Educação), dos pais e alunos. Enfim, da sociedade em defesa da educação
de verdade, pois ao longo dos anos ela vem sendo duramente atacada pelo
descaso desse governo”, sublinhou Bebel. A nova presidente da Apeoesp
denunciou que “a ditadura contra as nossas manifestações fez com que o
Ministério Público do Trabalho desenterrasse uma multa no valor de 150
mil reais referente à greve de 1998. Além de uma outra de quatro
milhões, relativa ao ano de 2005, aplicada ao então presidente da
Apeoesp, Carlos Ramiro de Castro (Carlão). Isso é um verdadeiro
absurdo”.
ADEMAR COQUEIRO |