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Partido de
Morgan Tsvangirai foi montado pelo ministério do Exterior da Inglaterra
A mídia imperial vem tentando fazer crer que a
virada eleitoral no Zimbábue se deve à “violência” contra a oposição, e não
ao chamado à consciência a seu povo, por parte do patriarca do Zimbábue,
Mugabe. Segundo esses porta-vozes, não existiria qualquer relação entre os
atos de Tsvangirai – o abandono do segundo turno, a encenação do refúgio na
embaixada de um país colonialista, a Holanda, de onde saía e entrava quando
queria, e por fim o pedido de intervenção de tropas estrangeiras no país, e
o despencamento da sua votação, para 15%. Mas, porque a população do
Zimbábue seria a favor de uma invasão do próprio país?
Sobre que tipo de gente é Tsvangirai, é
esclarecedor a lembrança do jornalista Allan Little, da BBC: “há um par de
anos atrás eu perguntei a Morgan Tsvangirai se ele achava útil quando
ministros do governo inglês publicamente condenavam Robert Mugabe”. Após
leve estremecimento e com um ligeiro balanço de cabeça, descreveu Little,
Tsvangirai lhe respondeu que havia “lhes pedido para não fazerem isso”,
porque “o tiro sai pela culatra”.
Nos comícios de Mugabe, Tsvangirai foi
impiedosa-mente moído. O líder zimbabuense lembrou que o partido do traíra,
o “Movimento pela Mudança Democrática”, havia sido montado pela Westminster
Foundation, um organismo do ministério das Relações Exteriores da
Inglaterra, criado em 1992 com o objetivo de “democracy-building” no leste
europeu, oriente médio e África, com orçamento anual (oficial) de 70 milhões
de libras esterlinas. Fora os por fora. Ou seja, um instrumento dos
colonialistas.
PRONTUÁRIO
Após fazer carreira como presidente da central
sindical do país – por indicação do Zanu-FP – Tsvangirai passou a advogar
que o melhor modo de combater o FMI era aderindo ao neoliberalismo,
naturalmente embelezado com conversa fiada. Sua mais conhecida “mobilização”
de massa foi contra o “aumento de impostos”, isto é, a criação de pequena
contribuição para que os veteranos da guerra da independência passassem a
ter modesta pensão. Quando Mugabe concretizou a devolução da terra aos
africanos após duas décadas de espera, Tsvangirai engrossou o coro dos
colonialistas sobre a “desorganização da produção”.
No primeiro turno, parte do eleitorado de Mugabe
e do Zanu-FP havia se paralisado diante da grita colonialista, e a confusão
sobre quem era responsável pelo desabastecimento, aliada ao tráfico de votos
cometido pela Usaid, forneceram votos que o MDC jamais tivera antes. Além
disso, Mugabe e o Zanu-FP respeitavam tudo o que fora assentido com a
oposição, através da mediação da África do Sul, e do seu presidente Thabo
Mbeki, enquanto o jogo de Tsvangirai, do MDC e de seus patronos ingleses e
americanos era o tudo-ou-nada.
Veio o segundo turno e, sob o comando de Mugabe,
se instaurou um profundo processo de luta política dentro da sociedade
zimbabuense, sobre o que significava cada uma das alternativas em jogo: a
volta do colonialismo travestido de MDC, ou o avanço nas transformações. As
intimidações montadas por gangues pró-colonialistas, o retorno dos “Selon
Scouts” – os esquadrões de extermínio do tempo do apartheid, as “operações
com bandeira trocada”, acabaram por fracassar. A compra de votos com
alimentos foi barrada. A energia do povo e dos apoiadores do Zanu se
liberou. Assim, quem acabou por se paralisar foi a parcela da população – as
pessoas ingênuas, como as chamou Mugabe - que havia aderido às manipulações
de Tsvangirai no primeiro turno e agora o viam fugir das urnas e, pior,
pedir a intervenção estrangeira, isto é, a
guerra.
A.P.
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