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Narciso:
diretamente da diretoria da Halliburton para a direção da ANP
Nelson Narciso Filho, diretor da petroleira norte-americana Halliburton de
maio de 2005 a junho de 2006, foi indicado para a diretoria da Agência
Nacional do Petróleo (ANP) em 23 de maio de 2006, tendo seu nome aprovado em
votação secreta da Comissão de Serviços de Infra-Estrutura do Senado,
segundo o parecer nº 556. Naquela data, Narciso era Diretor Global - Cliente
Sonangol da Halliburton Angola.
Narciso atua há 30 anos na indústria petrolífera, sendo 24 anos em cargos de
direção e gerência em multinacionais como a Halliburton, a ABB (Asea-Brown
Boveri) e a Vetco Gray.
Antes de atuar na Halliburton – companhia que se tornou notória pela
rapinagem no Iraque, pelos escândalos com dinheiro público nos EUA e por
haver tido como presidente o atual vice de Bush, Dick Cheney -, foi Gerente
Geral da ABB Óleo, Gás e Petroquímica em Angola, entre janeiro de 2001 e
fevereiro de 2005. “Nesse período era responsável pelos contactos diretos e
negociações com as altas gerencias da Total, BP, ExxonMobil, ChevronTexaco,
Petrobrás, NorskHydro, Sonangol e suas joint ventures e órgãos
governamentais como Ministérios dos Petróleos, Finanças e Trabalho”, diz o
seu currículo, publicado pela ANP.
Também foi diretor da Vetco Gray, responsável pelo negócios no Oeste da
África (Angola, Congo, Gabão, Guiné Equatorial, Camarões, Costa do Marfim,
África do Sul).
Catapultado da diretoria da Halliburton para a diretoria da ANP, Narciso é
encarregado do banco de dados sobre o petróleo do país, que a Petrobrás, por
força da lei, é obrigada a repassá-los à agência.
Quando a ANP decidiu restringir o número de lotes pelos quais a Petrobrás
poderia competir na 8ª Rodada de Licitações, nos dias 28 e 29 de novembro de
2006, Narciso declarou: “a idéia é evitar que haja uma concentração muito
grande nas mãos de uma única empresa. É preciso impedir o retorno do
monopólio”.
A Petrobrás - vencedora nas sete rodadas de licitações realizadas entre 1999
e 2005, adquirindo cerca de 70% dos blocos - se manifestou contrária
a decisão da ANP. A oitava rodada foi suspensa por decisão da Justiça. Do 9º
leilão, realizado em novembro do ano passado, foram retirados 41 blocos do
pré-sal por determinação do presidente Lula.
Na semana passada, Narciso defendeu, em Madrid, a retomada da 8ª rodada para
garantir a entrega dos blocos já licitados antes da liminar da Justiça que
suspendeu o leilão, inclusive o bloco de número SM 857, arrebatado pela
multinacional ENI, de origem italiana, na área do pré-sal. Outros 10 blocos
na borda do pré-sal estão incluídos no oitavo leilão.
Para defender a 10ª Rodada, Narciso afirmou que o pré-sal “tem custo muito
alto”. Segundo ele, o importante são “alternativas a custo menores para
quando o preço do petróleo baixar”. Deve ser por isso que a Esso, a Shell, a
BP, a Chevron, a Repsol, e outras, estão sequiosas pelo pré-sal -
provavelmente para jogar dinheiro fora.
Os leilões da ANP foram introduzidos no Brasil a partir da promulgação da
Lei nº 9.478/97, no governo Fernando Henrique Cardoso. Tal lei também criou
a ANP. |