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Registros da Alstom revelam tabela de suborno a tucanos
De acordo com
planilha do PSDB, era do atual secretário de Subprefeiturasde São Paulo, Andrea
Matarazzo, a missão de recolher o dinheiro em 98
“As finanças do partido no poder[PSDB]”, “o
tribunal de contas [TCE]” e “a Secretaria de Energia [de São Paulo]”. Segundo a
correspondência de executivos da Alstom apreendida por autoridades da Suíça,
estes órgãos não eram apenas os locais em que alguns tucanos batiam o ponto, mas
também o endereço final do suborno pago pela multinacional francesa para obter
alguns contratos do Estado.
Os detalhes da operação foram descritos num
comunicado enviado por Andre Botto, diretor da Cegelec – subsidiária da Alstom -
na França, para um cidadão de nome M. Chamussy. Escrito em 23 de setembro de
1997, o documento se refere a um contrato de R$ 110 milhões a ser firmado com a
Eletropaulo. Nele, Botto informa que o suborno foi acertado num “patamar de 7,5
(%)”. “Se trata da remuneração para o governo local. Ela está sendo negociada
via um ex-secretário do governador (RM)”. De acordo com as investigações, “RM” é
Robson Marinho, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Depois de
coordenar a campanha eleitoral de Covas em 1994, ele foi chefe da Casa Civil do
governo do Estado de 1995 a abril de 1997.
Cabia a “RM”, neste caso, segundo a
correspondência, distribuir a quantia entre o partido, o Tribunal de Contas do
Estado e também à Secretaria de Estado de Energia.
O mesmo sistema de comunicação foi utilizado
pelos executivos para tratar de outro contrato da Alstom com o governo tucano,
desta vez com a Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica (EPTE).
Trata-se de um aditivo no contrato de cerca de R$ 100 milhões para o
fornecimento de equipamentos às subestações Aclimação e Miguel Reale, no
Cambuci. Como o primeiro comunicado, este também foi apreendido pelas
autoridades suíças.
Embora não discrimine os órgãos, o recente
memorando apresenta um novo percentual a ser cobrado, configurando uma espécie
de tabela que diferenciava o preço do suborno para contratos e para aditivos.
No contrato da EPTE, os órgãos são substituídos
pelas iniciais dos nomes dos envolvidos. O primeiro é um elemento denominado
“Neves”. Ao lado deste nome, consta o percentual de “8,5%”, juntamente com a
palavra “fait”, “feito” em português. Em seguida, surge a sigla Splendor (1%
“fait”) e depois “C.M.”, com 7%, mas sem a rubrica de “feito”. A Splendor foi
identificada pelas autoridades francesas como a empresa que intermediou o
pagamento da propina. Seu serviço, 1% do valor do contrato.
Segundo suspeitam os promotores brasileiros que
investigam o caso, “C.M.” seria Claudio Luiz Petrechen Mendes, um intermediário
entre a empresa e o governo do Estado, que chegou a ter seu percentual
questionado pelo executivo da Alstom. “Eu não posso dar “ok” para uma pessoa que
eu não conheço e da qual eu jamais ouvi falar”, revela outro trecho do bilhete,
possivelmente uma resposta escrita por Chamussy.
O total de suborno no aditamento ficaria em
16,5%. “CM” e “Splendor” foram facilmente identificados. “Neves” continua sendo
o enigma. Para decifrá-lo, segundo os investigadores brasileiros, é preciso
apurar até onde foi a participação do vereador Tião Farias (PSDB), que além de
ter sido um dos assessores mais próximos de Mário Covas, foi secretário-adjunto
de Robson Marinho na Casa Civil.
Não por acaso as correspondências dos executivos
da Alstom são consideradas, tanto pelas autoridades suíças e francesas como
pelas brasileiras, peças fundamentais para decifrar o modus operandi do esquema
Alstom/PSDB. Além de revelado-res, os memorandos podem ajudar a identificar os
mecanismos utilizados em outros casos. Afinal, não foram só dois contratos, mas
dezenas.
Segundo a bancada do PT na Assembléia, a empresa
firmou 139 contratos com o governo estadual, no período de 1989 a 2007, num
total de R$ 7,6 bilhões. De 1993 a 2003, período em que as polícias da França e
Suíça investigam, foram firmados 96 contratos que somam R$ 5,2 bilhões. Os
contratos são com as empresas Metrô, CESP, Força e Luz, CPTM, CTEEP, Dersa,
Eletropaulo, Emae, Prodesp e Sabesp. A maioria foi firmada na gestão do ex-
governador Geraldo Alckmin. No entanto, o atual governador José Serra, não só
manteve contratos com a Alstom, vigentes há 20 anos, como fez aditivos no valor
de R$ 2 bilhões.
E os valores pagos em suborno variavam de acordo
com a modalidade. Partia de 7,5%, podendo chegar a 30%, segundo revelou um
ex-funcionário do setor de finanças da Alstom no Brasil em entrevista ao jornal
“Estado de São Paulo”.
A forma como estes recursos, desviados dos
cofres públicos, alimentavam “as finanças” do PSDB, ou as contas bancárias de
pessoas ligadas ao esquema, é a segunda etapa da investigação. Uma pista surgiu
na semana passada: a lista do caixa 2 da campanha de Fernando Henrique em 1998.
Elaborada por Luiz Carlos Bresser Pereira, então tesoureiro de FHC, a lista diz
que caberia ao atual secretário de Subprefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo
(PSDB), então secretário de Energia do Estado, a responsabilidade de colher a
contribuição de duas empresas do grupo francês Alstom, a Cegelec e a ABB, para o
caixa 2.
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