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“Flagelo das
lesões, mutilações e mortes nos frigoríficos da Cargill precisa ter fim”
Entre
outras medidas para “coibir o verdadeiro flagelo que são os frigoríficos
da Cargill”, propõe Siderlei, “é necessário responsabilizar
criminalmente quem brinca com a saúde do trabalhador, reduzir a
intensidade do ritmo de trabalho e a carga horária, ampliar a
fiscalização e o valor das multas”.
Em todo o Brasil,
as denúncias contra a multinacional se multiplicam. “Quem não lembra do
caso de Valdirene João Gonçalves da Silva, funcionária da Seara/Cargill
em Forquilhinha, no interior catarinense, durante 11 anos e inválida aos
35 anos, chantageada pela direção da empresa para não tornar público o
diagnóstico médico de que seu braço estava podre? Após inúmeras
mobilizações e intensa pressão do Sindicato e da Contac, conseguimos que
a empresa admitisse a culpa. Valdirene foi então submetida a uma
operação no cérebro, mas infelizmente não houve reversão do quadro”.
Siderlei lembra
que em Jaraguá do Sul-SC, a Justiça obrigou a Cargill a retirar lonas e
capangas da unidade, onde submeteu trabalhadores à cárcere privado
durante uma greve. No mesmo local, uma operária foi demitida um dia
antes da cirurgia de retirada de útero, previamente agendada.
Em Sidrolândia, no
interior do Mato Grosso do Sul, uma vítima fatal: Marcos Antonio Pedro,
funcionário do setor de higienização e limpeza da Seara/Cargill. Índio,
29 anos, pai de três filhos, Marcos morreu quando caiu dentro do tanque
de resfriamento de frangos (chiller), ao escorregar enquanto fazia uma
limpeza de resíduos. Como não havia proteção, e a higienização até então
era feita com a máquina em movimento, o operário foi sugado pela espiral
(caracol) que puxa as aves para a água. “Quando os mecânicos chegaram,
queriam cortar o tanque e tirá-lo por baixo, mas, ao invés disso, o
controle de qualidade da empresa determinou que se invertesse o
movimento de rotação das espirais. Não deu certo e ele foi praticamente
cortado ao meio, nos contou o auxiliar de inspeção geral”, recorda
Siderlei. Buscando ficar impune, a multinacional alegou que o operário
havia se suicidado e adulterou o local do crime. “Os trabalhadores
denunciaram que a Cargill diminuiu a altura das plataformas próximas ao
chiller e que esse desnível acentuado favoreceu a queda de Marcos.
Também pôs chapas de proteção de inox em volta do chiller, um item de
segurança que nunca existiu”.
“Vamos deixar na
mão desse tipo de gente fazer a opção pelo homem ou pelo lucro?”,
questionou Siderlei.
LEONARDO SEVERO |