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Cadê o omelete?
ARIOVALDO IZAC *
Há frases que se eternizam no futebol. Uma delas foi protagonizada pelo
treinador Otto Glória, já falecido. Foi dele a sábia metáfora, repetida até
hoje nos clubes: “Sem ovos não se faz omeletes”.
Era o jeito franco de Otto Glória dizer para quem quiser ouvir que comandava
um time fraco, que estava reivindicando reforços dos cartolas para colocar
em prática suas estratégias táticas.
Oto era capaz de campanhas surpreendentes por onde passava. Em 1966,
conseguiu formar, em Portugal, um selecionado inesquecível, que assombrou o
mundo na Copa da Inglaterra, levando a equipe à terceira colocação.
PORTUGAL
Otto desembarcou em Portugal com a dura missão de brigar por uma vaga nas
Eliminatórias da Copa, num grupo onde estavam a então temida Checoslováquia,
Romênia e a ascendente Turquia, com os portugueses atropelando adversários.
E já na primeira fase daquele Mundial Portugal “nadou de braçada” com três
vitórias. Ganhou da Hungria por 3 a 1, goleou a Bulgária por 3 a 0 e
desclassificou o Brasil com vitória por 3 a 1.
Na quartas-de-final, Portugal passou pela Coréia do Norte por 5 a 3 e, já na
fase semifinal, perdeu para os donos da casa por 2 a 1. Assim, foi para a
disputa pelo terceiro lugar e venceu a União Soviética por 2 a 1.
Portugal tinha um timaço: José Pereira; Moraes, Batista, Vicente e Hilário;
Jaime Graça, Coluna e José Augusto; Eusébio, Torres e Simões. E o atacante
Eusébio da Silva Ferreira, o maior jogador de todos os tempos do futebol
português, foi o artilheiro de seu selecionado com oito gols. Na vitória
sobre a Coréia do Norte, Eusébio marcou quatro gols, dois em cada período.
Otto Glória era um treinador polêmico, daqueles que peitavam jogador quando
preciso. Comandava treinos aos berros e exigia disciplina. Mas era,
sobretudo, um profundo conhecedor do futebol. Adepto do futebol ofensivo,
procurava extrair o máximo do potencial de seu jogadores. Fazia questão de
centralizar as principais jogadas de ataque no jogador driblador. Dava
confiança para o atacante tentar a jogada pessoal, mesmo que errasse.
Foi com Otto Glória que a Portuguesa conquistou o último título
representativo em sua história. Em 1973 dividiu a conquista com o Santos,
devido um erro de contagem de pênaltis do ex-árbitro Armando Marques. A
definição do título, naquela temporada, se estendeu para as cobranças de
pênaltis após empate no transcorrer da partida. E o juizão se atrapalhou
totalmente. Cometeu erro primário ao não contar corretamente e o Santos foi
injustiçado.
MÉRITOS
Apesar disso, a Lusa teve méritos. Na ocasião, Otto contava com um time
formado por Zecão; Cardoso, Pescuma, Calegari e Isidoro; Badeco e Basílio;
Antonio Carlos, Dicá, Enéas e Wilsinho.
Curioso é que o goleador Cabinho ficava no banco de reservas e a torcida
lusa pegava no pé do treinador, pedindo seguidamente a entrada do
centroavante, revelado pelo América de Rio Preto (SP). Antonio Carlos, um
ponta-direito cabeludo, que veio do América do Rio, barrou o famoso Xaxá. E
até mesmo Dicá amargou um banco de reserva com o técnico Otto Glória, que
também teve passagem marcante no Vasco, Santos e futebol mexicano.
Do time luso daquela época, o volante Badeco trocou o futebol pela carreira
de advogado, depois de experiência como treinador do Osasco (SP).
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É jornalista em Campinas e colaborador do HP |