|
Apagão na internet da Telefónica paralisa
serviços públicos em SP
A privatização e monopolização deixou os
serviços públicos e a população de SP à mercê da
ganância de uma empresa estrangeira
Um apagão no sistema de dados da Telefónica que
teve início às início às 22 horas da última
quarta-feira (2), prejudicou os usuários de
internet de todo o Estado de São Paulo. A pane,
que durou mais de 36 horas, deixou milhares de
pessoas sem acesso à rede em mais de 407
municípios do Estado e paralisou 50% dos
serviços públicos municipais e estaduais da
capital.
Mais de 2 milhões das 7,7 milhões de conexões de
banda larga existentes no Brasil até fim de
2007, estão sob controle da Telefónica. A
monopolização por uma só fornecedora de serviço,
sua ganância de lucrar e remeter para a matriz
quantidades imensas de recursos nossos, ao mesmo
tempo em que não realiza os investimentos
necessários para sustentar os serviços, levou à
saturação da sua rede. Como consequência, o
apagão assumiu proporções incalculáveis.
Depois de recusar-se a esclarecimentos durante
toda a quinta-feira, a Telefónica informou, na
noite desse dia, que não sabia o que estava
acontecendo. Na sexta-feira a tarde ainda havia
apagões em várias áreas. Posteriormente, a
empresa lançou anúncio gabando-se de ter
“trabalhado durante 36 horas”. Assim, uma
incompetência monumental foi apresentada como
trabalho hercúleo - e, certamente, a Telefónica
espera que todos fiquem comovidos com o seu
esforço...
O prejuízo mais grave foi detectado devido à
concentração do sistema de dados públicos do
Estado nas mãos de uma empresa privada
estrangeira. Antes, eles estavam nas mãos do
próprio Estado. Com a privatização, foram
açambarcados pela Telefónica. O resultado foi a
paralisação de metade do sistema de comunicação
do governo (Intragov), que possui cerca de 12
mil linhas de comunicação fornecidas pela
Telefónica, a paralisação no sistema de Boletins
de Ocorrências nas delegacias, no sistema da
Companhia de Engenharia de Tráfego e do Corpo de
Bombeiros, a suspensão dos serviços oferecidos
pelo Poupatempo, a interrupção de serviços
bancários da Nossa Caixa e o fechamento de
aproximadamente 8% dos postos de sistema de
recargas do Bilhete Único - entre outros
transtornos.
Cerca de 3.500 grandes empresas, o que
representa metade dos clientes de grande porte
da Telefónica, ficaram fora do ar durante a
pane. Prejuízos em negociações, entregas e
pedidos, entre outros serviços, prejudicaram os
pequenos empresários do Estado.
A Fundação Procon de São Paulo notificou a
Telefónica para obter os esclarecimentos sobre a
pane. A multa por falha na prestação de serviço
pode chagar a R$ 3,192 milhões, o que, aliás, é
uma cifra modesta para um caso como esse.
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec),
julgou que o ocorrido demonstra a “fragilidade”
da concessionária. “É de extrema urgência que se
pense em formas alternativas de acesso à
Internet”, afirmou Daniela Trettel, advogada do
Idec. “A situação de hoje mostra, em primeiro
lugar, a fragilidade de uma das maiores empresas
de telecomunicações, quando, por um problema em
seu servidor, não dispõe de uma alternativa para
solucionar, ainda que temporariamente, o
problema causado”, completou.
O Sindicato dos Trabalhadores em
Telecomunicações (Sintetel), criticou a falta de
investimentos da Telefónica em infra-estrutura.
“Há anos o sindicato vem alertando a empresa de
que é necessário que ocorram investimentos
pesados na rede, na parte técnica, na
infra-estrutura”, afirmou Mauro Cava de Britto,
diretor do Sintetel.
Ainda segundo o diretor do sindicato, há uma
década, a Telesp e a CTBC (concessionária que
atendia a região do ABC e do Alto Tietê)
empregavam, juntas, 25 mil trabalhadores. Após a
privatização, a Telefónica conta com apenas
6.000 empregados diretos no Estado de São Paulo. |