|
“Nacionalização garante soberania à Bolívia e dignidade a seu povo”
Em
entrevista ao HP, a diretora geral do Ministério das Recuperações Estatais
na Bolívia, Leny Erika Chávez Barrancos, afirma que a retomada do patrimônio
público, com as recentes nacionalizações, “garantem soberania ao país e
dignidade para o povo boliviano, com os recursos que geram nossas empresas
investidos no desenvolvimento do país”.
LEONARDO
SEVERO
Enviado
Especial
HP
- O presidente Evo criou um Ministério para recuperar as Estatais, por
intermédio do qual tem sido sustentadas as nacionalizações. Qual o
significado desta medida?
Leny
- A partir da época do Consenso de Washington se definiram políticas
neoliberais para toda a América do Sul, e a Bolívia foi um dos países mais
afetados. Assim, o Estado foi privatizado e desnacionalizado, deixando de
dar atenção à população, que ficou abandonada. Nossa compreensão é que os
serviços públicos são obrigação do Estado e que, portanto, são necessárias
avaliações sobre os diferentes processos de alienação de patrimônios, de
forma que, respeitando direitos, façamos uma recuperação justa. As
nacionalizações garantem soberania ao país e dignidade para o povo
boliviano.
HP -Recuperar o Estado com justiça social.
Leny
- A realidade é que o esvaziamento do Estado empobreceu ainda mais a
população, ampliando a desigualdade social enquanto grupos de famílias se
enriqueciam e grupos de poder manipulavam o governo. O que o presidente Evo
Morales pretende é o fortalecimento econômico do Estado para conseguir uma
melhor distribuição da riqueza. Este é o sentido do processo de
nacionalização e recuperação dos recursos naturais e das empresas
estratégicas.
HP - Esta é a função do seu Ministério?
Leny
- Exatamente. Vimos que era necessário dotar o governo nacional de uma
entidade específica e especializada que se ocupasse da defesa legal do
Estado boliviano nas controvérsias sobre investimentos, no âmbito nacional e
internacional, que nos amparasse e atendesse de forma oportuna e eficiente.
HP - Há muito trabalho então pela frente.
Leny
- Claro que sim. Os neoliberais e privatistas venderam as principais
empresas nacionais. Inicialmente, por meio da capitalização, que a lei lhes
possibilitava, transferindo para as empresas privadas, multinacionais, até
49% das ações. Mas foram além e entregaram um percentual ainda maior. Houve
um momento em que o Estado boliviano perdeu completamente o controle das
suas empresas estratégicas, como a de hidrocarbonetos e de comunicação. Da
mesma forma, nossa empresa aérea, o Lloyd Aéreo Boliviano.
HP - Estancar a sangria ao estrangeiro.
Leny
- Nosso entendimento é que os recursos que geram nossas empresas devem ser
investidos no desenvolvimento do país, como estamos fazendo por exemplo com
o controle do gás e do petróleo, com a YPB (Yacimientos Petrolíferos
Bolivianos) e na mina de estanho de Huanuni, próxima a Oruro, que emprega
mais de quatro mil operários. Este é o nosso compromisso. |