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Obama ratifica
seu compromisso de acabar com guerra no Iraque
“A invasão
do Iraque foi um erro estratégico e esta guerra tem de terminar. Mantenho a
proposta de fazer a retirada em 16 meses”, reiterou o candidato Democrata,
frente ao que classificou como “frenesi” da mídia para manipular sua posição
sobre o assunto
O candidato democrata à presidência dos EUA,
Barack Obama, reafirmou em entrevista seu compromisso “em dar fim à guerra
no Iraque” assim que for eleito, e em “trazer de volta as tropas em 16
meses”. A reiteração ocorreu após os principais veículos da mídia dos EUA
inflarem um trecho pinçado
de um comentário feito na quinta-feira na cidade de Fargo, Dakota do Norte,
e que se referia a questões táticas da retirada, para apresentá-lo como
indício de iminente “atenuação”, ou “alteração” ou “recuo” da sua proposta
de retirada do Iraque. Obama apenas dissera que poderia “aprimorar” seu
calendário de retirada em 16 meses após consulta aos comandantes dos EUA no
país árabe.
Qualquer um que tenha nas suas faculdades
mentais pelo menos dois neurônios não teria muitas dificuldades em
considerar que uma operação de retirada de 150 mil soldados sem a menor
sombra de dúvida terá ser feita “de acordo” com “os comandantes no terreno”.
E não apenas de acordo com eles, mas também com as forças oponentes
iraquianas, isto é, a Resistência. O que, para um país que já se retirou da
Coréia, do Vietnã, do Líbano e da Somália – só para citar os casos mais
conhecidos – não chega a ser uma novidade. O próprio comando da Resistência
iraquiana já se prontificou a garantir condições de segurança para que se
proceda à retirada, desde que sejam atendidas as exigências do movimento de
libertação, a primeira delas, exatamente um calendário de retirada, uma data
limite para a saída das tropas dos EUA. Assim, não espanta que Obama tenha
classificado toda essa manipulação como um “frenesi”.
PETRÓLEO
Mas, porque agiria diferente essa mídia
umbilicalmente ligada à indústria da guerra, ao cartel do petróleo e a Wall
Street, numa semana em que o governo fantoche e W. Bush “discutem” um novo
“mandato” para uma ocupação permanente, e é anunciado que Exxon, Chevron,
Shell e British Petroleum foram agraciadas com os primeiros contratos para
exploração dos campos de petróleo iraquianos em décadas? Assim, capitaneada
pelo “The New York Times” e o “Washington Post”, essa mídia esmerou-se em
comentários hostis a Obama, seja na expectativa de levar água ao ressecado
moinho do republicano John McCain, ou, caso o democrata seja eleito, de
submetê-lo para que traia sua principal bandeira de campanha, e que o
transformou, de um senador novato, em fenômeno eleitoral: a retirada do
Iraque.
Diante da manipulação, Obama reuniu os
jornalistas que faziam a cobertura de sua campanha, e lhes disse: “vamos
tentar de novo. Deixem-me ser tão claro quanto eu posso, estou decidido a
acabar com essa guerra [do Iraque]. No meu primeiro dia de mandato eu
chamarei os chefes do Estado-Maior, e lhes darei uma nova incumbência, que é
terminar essa guerra – responsavelmente, deliberadamente, mas
decisivamente”, acrescentou.
Obama assinalou não ter “qualquer informação que
contradiga a noção que podemos trazer nossas tropas de volta com segurança,
à razão de uma ou duas brigadas por mês, e, de novo, que esse ritmo se
traduz em termos nossas tropas de combate fora, em um prazo de 16 meses”.
Ele apontou que não dissera nada “que não tivesse dito antes, que não
tivesse dito há um ano atrás, ou como senador dos Estados Unidos ”.
CONVICÇÃO
“Se olharem nossa posição, verão que é muito
consistente. Estou inabalável na convicção de que [a invasão do Iraque] foi
um erro estratégico e que esta guerra tem de terminar”, afirmou Obama.
“Seria um erro estratégico ulterior continuarmos com essa ocupação sem data
para acabar, do tipo que John McCain tem prometido”, destacou. Ele
sublinhou, ainda, que sua disposição em levar em consideração as mudanças no
terreno e as potenciais derivações do plano de retirada “estavam em forte –
e agudo – contraste com a estratégia de mantenha-o-curso de W. Bush” no
Iraque.
FATOS
Quanto ao que se referira sobre “aprimoramentos”
e “ouvir os comandantes”, Obama foi bastante incisivo. “A questão tática de
como asseguramos que nossas tropas estão seguras enquanto realizamos a
retirada, de como executamos a retirada – essas são as coisas que estão
baseadas em fatos e condições”. “Não sou” – acrescentou – “alguém que, como
George Bush, quer ignorar fatos com base em noções preconcebidas. Quero
levar em conta o que está acontecendo lá”. O líder democrata apontou,
também, sempre ter dito que “o ritmo da retirada seria ditado pela segurança
e proteção de nossas tropas e pela necessidade de manter a estabilidade.
Essa assertiva não mudou”. Ressaltando “não ter absolutamente mudado de
idéia” sobre a retirada, Obama assinalou que “seria McCain quem teria
dificuldade em explicar seu apoio a uma presença de longo termo no Iraque”,
situação que considerou “uma estupidez estratégica”.
ANTONIO PIMENTA
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