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PF aponta colunistas e revistas na folha de pagamento de Dantas
O relatório final da Operação Satiagraha,
assinado pelo delegado da Polícia Federal, Protógenes Pinheiro de Queiroz,
afirma que a organização criminosa de Daniel Dantas manipula a mídia e compra
jornalistas. O documento tem um capítulo inteiro sobre o envolvimento da mídia
com a organização do dono do Opportunity.
O delegado escreve que as revistas “Veja” e
“IstoÉ Dinheiro” estão a serviço do grupo de Dantas. O documento cita
nominalmente Diogo Mainardi e a “Veja” como colaboradores da organização
criminosa. Em um trecho do relatório, o delegado descreve: “... recente artigo
publicado no dia 12.04.2008, edição 2054, da própria revista Veja, elaborado por
um dos jornalistas colaboradores dessa organização criminosa, Diogo Mainardi,
sob o título ‘Entendeu, Tabatha’, eles retomaram algumas das práticas mais
antigas e mais imundas do jornalismo, como a chantagem, a mentira, a propaganda
do poder e a matéria paga”. A resposta de Mainardi ao relatório da PF foi um
insulto ao delegado Protógenes. “É uma citação bisonha, uma patetice que
infelizmente pode colaborar para que quadrilheiros escapem”, disse Mainardi.
O documento se refere também à jornalista da
“Folha”, Andréa Michael, como “integrante da organização criminosa”, “travestida
de correspondente da jornal Folha de São Paulo na cidade de Brasília”. Andréa
Michael foi autora de reportagem, em abril, que antecipou, com exclusividade, a
operação da PF. Em um diálogo descrito pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, em
seu blog, Andréa diz a Guilherme Henrique Sodré Martins (Guiga), membro do
círculo íntimo de Daniel Dantas: “Avisa ao Daniel que tenho uma matéria de
encomenda para ele”.
A PF revela também que Roberto D’Ávila, da “TVE
Brasil”, recebeu R$ 50 mil em 2007 de Nahas e que Leonardo Attuch, editor da
“IstoÉ Dinheiro” e colunista da “IstoÉ”, teria feito “artigos jornalísticos
encomendados”.
No relatório constou também que no dia
13/01/2007, Daniel Dantas manteve diálogos com a irmã Verônica Dantas e Danielle
Silbergleid afirmando textualmente da necessidade de utilizar a conexão direta
entre ele e a imprensa como instrumento para plantar informações a fim de
confundir a opinião de autoridades públicas nacionais e internacionais na
disputa do grupo Opportunity, Citigroup, Telecom Italia pelo controle da BrT.
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