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Assaltados
moralmente todos os dias
CARLOS PINTO *
A semana recém finda foi pródiga em assuntos relacionados
com as investigações realizadas pela Polícia
Federal, respaldada por juízes e promotores
da também Justiça Federal. As prisões
efetuadas, que levaram às grades personagens
importantes do sistema financeiro nacional,
promoveram um prenda e solta jamais visto
neste país.
Especula-se, também, que o “bug” sofrido pela Telefônica
tenha sido um ato de sabotagem, já que
vazamento de informações dá conta de que o
esquema de proteção do sistema teria sido
desligado. Outras fontes estranham nesse
período a movimentação de dinheiro do Brasil
para o exterior, considerado incomum, e que
essas mesmas fontes estimam em 6 ou 7
bilhões de dólares.
Onde está a verdade, é o que os delegados e investigadores
da Polícia Federal tentavam descobrir, mas
que de certa forma tiveram suas ações
cerceadas em função do poderio econômico de
um dos envolvidos. Além disso, conversas
telefônicas internacionais codificadas,
acabaram sendo gravadas por organismos
internacionais que vasculham e fazem escutas
para se precaver de ações terroristas, que
acabaram vazando para membros do Senado,
segundo consta. Quanto à sua veracidade, só
os “escutados” podem atestar. Já estão na
rede mundial de computadores algumas
transcrições dessas conversas.
Enfim, como diria Brecht, “vivemos tempos sombrios em que
se falar de coisas inocentes é quase um
delito, e implica em silenciar sobre tantos
horrores.” A verdade que salta aos olhos, é
que somos assaltados moralmente todos os
dias em função desse vastíssimo repertório
de escândalos, que comprometem as
instituições brasileiras. Nem bem acabou
este que envolve o Banco Opportunity e já
lemos nas manchetes dos principais jornais e
telejornais outra ação da Polícia Federal
sobre os negócios de outro mega-empresário,
envolvido em assuntos de uma empresa que
explora minérios no Amapá.
Razão pela qual, apesar de ter sido dita há 600 anos antes
de Cristo, a frase de Anacorsis torna-se
neste país muito atual. Apenas os gatunos
pés de chinelo vão para a cadeia. Os que
usam gravatas italianas e ternos dos
melhores alfaiates do mundo, apesar dos
crimes cometidos, continuam agindo livre e
impunemente. Será este o Brasil dos nossos
sonhos?
* É jornalista, secretário Municipal de
Cultura de Santos e presidente do Instituto
Cultural de Artes do Estado de São Paulo (Icacesp) |