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CARTAS
horadopovo@horadopovo.com.br
Judiciário I
Ficamos surpresos
ao ver a divisão em que se encontra o judiciário brasileiro e a facilidade
de um juiz decidir uma coisa e outro decidir outra. Causa perplexidade ao
cidadão comum. Se os critérios dos juizes são “técnicos”, como eles dizem,
como se explicam decisões tão díspares, como mandar prender e soltar um réu
duas vezes em questão de dias? Não parece mais que as interpretações são tão
“elásticas”, que mais parecem visão ou gosto pessoais? O presidente do STF,
Gilmar Mendes, chegou a quebrar jurisprudência ao conceder Hábeas Corpus,
passando por cima de instâncias intermediárias, dando tratamento vip a um
banqueiro já denunciado por crimes há anos. Com isso, contribui para a
impunidade, justamente quem esperávamos que contribuísse para a Justiça nos
julgamentos.
Antonio Marcos
Vicentini, por correio eletrônico.
Judiciário II
Diz-se que no
Brasil a Justiça está ao alcance de todos. Será? É claro que nos termos
frios da Constituição Federal, está escrito que todos são iguais perante a
Lei, mais o fato é que no Brasil, aqueles que são detentores do capital, de
prestígio ou de poder político são, na verdade, “mais iguais” do que os
outros. Vejamos o recente episódio envolvendo o banqueiro Daniel Dantas,
preso pela Polícia Federal duas vezes na mesma semana, e que nas duas vezes
conseguiu, com impressionante rapidez, um juiz federal apto para lhe
conferir um Hábeas Corpus. O estranho nisso tudo é que enquanto Daniel
Dantas parece ser privilegiado de contar com verdadeiro “plantão
judiciário”, a enorme maioria dos brasileiros, muitos dos quais vítimas da
truculência policial, estão antecipadamente condenados a conviver com a
irritante morosidade dos instrumentos de distribuição de justiça.
Júlio Ferreira,
por correio eletrônico.
Judiciário III
Os desencontros e
dissintonias têm gerado indignação no próprio ceio do judiciário.
Lamentavelmente é o que se vê divulgado nos veículos de comunicação. Apesar
dessas coisas, o judiciário ainda merece um voto de crédito do povo.
Contudo, é lamentável que estejam acontecendo coisas absurdas dentro dessa
instituição indispensável no sistema de um país democrático. Se os
responsáveis pela lei que rege o país não agirem em sintonia nos seus
diversos níveis de deveres e responsabilidades, o sistema judiciário vai a
breque. A tolerância aos erros e discordâncias é muito grande neste país e
dá a sensação de que alguns integrantes do judiciário brincam de legislar,
fazendo e desfazendo o que é feito dentro do próprio judiciário.
Lamentavelmente
não é só no judiciário que essas coisas acontecem. Mas se o judiciário for
exemplar e trabalhar em prol do país e do seu povo, outros seguimentos
também passarão a agir segundo as regras do judiciário. O que está
acontecendo neste país com relação a Hábeas Corpus está virando uma
brincadeira de mau gosto. As prisões e solturas estão acontecendo de forma
irresponsável. Tais ocorrências estão entrando em conflito dentro do próprio
judiciário e mais, desfazendo todo um trabalho exaustivo da Polícia Federal,
e isso não pode continuar como se fosse um jogo de solta e prende.
Se o homem público
que compõe os diversos seguimentos não estiver em sintonia com as obrigações
regidas em lei, tudo se tornará em vão. A justiça precisa ser neutra e fazer
valer o que é certo e penalizar o que está errado. No julgamento das
questões não pode existir influências e nem amizades. No julgamento deverá
prevalecer o sim quando sim e não quando só pode existir não. Nas decisões
não pode existir coração mole e nem coração de pedra, mas sim, coração
justo. A tolerância e a má aplicação da justiça denigrem a própria
instituição e banaliza o seu objetivo constitucional.
Paul Morin, por
correio eletrônico.
Prisões
israelenses
Hoje a Al-Jazeera
falou sobre um assunto muito importante: os prisioneiros palestinos nas
prisões das milícias israelenses. Mas a história desses prisioneiros, na
verdade, ninguém sabe, pois suas famílias não têm notícias deles. Isso
contra as leis dos direitos desses prisioneiros. Qualquer prisioneiro tem
direito à visita de familiares e de representantes de entidades de direitos
humanos para averiguarem sua situação. Existe notícias sobre retirada de
órgãos de prisioneiros para transplantes e que cadáveres desses homens são
usados pelos israelenses para torturar psicologicamente seus familiares.
Diante de absurdos como esses, fica a pergunta: até quando esta história
ficará obscura? Onde está a ONU? Onde estão os Diretos Humanos?
Hussein Hussein
Santos, por correio eletrônico. |