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Rússia e
China barram sanções contra Zimbábue no CS da ONU
“A situação no
Zimbábue não ameaça a paz nem a segurança regional, muito menos a
internacional”, afirmou o embaixador russo
A tentativa
dos Estados Unidos de ampliar as sanções contra o Zimbábue, com base em não
reconhecimento do processo eleitoral vivido recentemente pelo país africano que
reelegeu o líder da libertação nacional, Robert Mugabe, foi barrada através do
veto da Rússia e da China no Conselho de Segurança da ONU.
“A ONU teria
criado um precedente perigoso, abrindo caminho para a interferência do Conselho
de Segurança nos assuntos internos de Estados em conexão com eventos políticos
em grosseira violação da Carta de Fundação da ONU”, destacou a delegação russa
ao justificar sua decisão, tomada na reunião do dia 11 de julho, na sede da ONU
em Nova Iorque.
“A situação
no Zimbábue não ameaça a paz nem a segurança regional, muito menos a
internacional”, acrescentou o embaixador da Rússia, Vitaly Churkin. “Estamos
convencidos que os problemas internos do Zimbábue devam ser solucionados através
do diálogo político entre o governo do Zimbábue e a oposição”, acrescentou
Churkin.
G8
Depois de ter
frustrada sua tentativa de aprovar críticas ao Zimbábue, sem obter aval da
África do Sul e outros países do continente - chamados ao G8 para lhe fazer coro
- e após colher nova derrota na ONU, o embaixador de Bush no organismo declarou
que a posição Russa era “perturbadora” e tentou ameaçar: “A posição da Rússia
questiona sua confiabilidade como parceiro do G8”.
“As críticas
dos EUA e da Inglaterra é que são inaceitáveis”, afirmou o embaixador russo. “Os
representantes destes países declararam que o nosso voto traiu os acordos do G8
em Tóquio. É a representação dos EUA e Inglaterra de uma proposta de resolução
inadequada, que fere a abordagem coletiva expressa no Japão, e que não menciona
nenhum movimento como o que eles realizaram no Conselho de Segurança da ONU”.
A Rússia
“está firmemente convencida de que os problemas do Zimbábue não podem ser
resolvidos elevando-os à categoria de ameaça à paz e à segurança”, concluiu
Churkin.
O veto da
Rússia foi acompanhado pela China, cujo embaixador, Guangya Wang, afirmou: “A
preocupação do meu governo é que a adoção desta resolução seria contraproducente
para as iniciativas e esforços realizados pelos africanos para encontrar uma
solução no Zimbábue. Neste momento, há negociações e diálogo na África do Sul
que necessitam nossa ajuda, mas não com uma resolução deste tipo”.
A África do
Sul, a Líbia e o Vietnã também se opuseram à resolução – que tampouco contou com
o apoio da Indonésia, que preferiu se abster. Votaram com a proposta
norte-americana, além da Inglaterra, Buskina Fasso, Costa Rica, Panamá, Croácia,
Itália, França e Bélgica.
Com a
proposta, os EUA queriam que as sanções impostas ao Zimbábue desde 2001 se
ampliassem, que os ativos zimbabuanos fora do país fossem congelados e que o
presidente Mugabe e outras 13 lideranças nacionais fossem impedidos de viajar
para fora das fronteiras de seu país.
O embaixador
do Zimbábue, Boniface Chidyausiku, destacou que a situação do país não
representa uma ameaça à paz nem à segurança e portanto não compete sua discussão
no Conselho de Segurança da ONU.
UNIDADE
Os governos
dos EUA e da Inglaterra queriam anular a vitória da unidade do povo obtida no
segundo turno das eleições presidenciais no Zimbábue, quando mais de 2 milhões
votaram em Robert Mugabe, contra pouco mais de 200 mil a favor do candidato das
duas potências imperiais, Morgan Tsvangirai. Pressentindo a derrota acachapante
que o esperava, Tsvangirai retirou sua candidatura dias antes.
EUA e
Inglaterra queriam expandir e legitimar através da resolução na ONU sua agressão
ao Zimbábue com a imposição de sanções desde 2001, quando Mugabe comandou uma
ampla reforma agrária distribuindo terras dos ex-colonos aos que compõem a
maioria no campo.
Aliás, foram
os próprios integrantes do partido de Tsvangirai que assumiram que a reforma
seria desfeita uma vez conquistado o governo pelo MDC, seu partido. Declarações
estas que serviram para alertar o povo para os riscos de volta do país à
condição de colônia.
O intento de
destruir a reforma agrária de Mugabe ficou evidente quando a própria resolução
apresentada pelos EUA na ONU – cujo pretexto era a contraposição à violência
governamental no processo eleitoral – destaca, no entanto, acusações ao ministro
da Agricultura (no período em que ocorreu a reforma), Joseph Made, por
supostamente “destruir o setor agrícola e o comércio rural”, acusação injusta e
sem nenhuma relação com a alegada violência eleitoral que teria ocorrido durante
o pleito recente.
O analista
político zimbabuano, Maxwell Hove, em entrevista à revista Sunday Mail,
publicada no país, defendeu a reforma e apontou as reais intenções dos que
propuseram a resolução contra o país: “O que eles chamam de destruição da
agricultura do Zimbábue foi o poder entregue ao povo. Assim sendo, as sanções
são para atingir a reforma agrária e reverter suas conquistas”. |