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Alfabetização chega a 95% no Zimbábue
“Não
foram a ONU, os Estados Unidos, a Grã Bretanha nem o G-8 os que
expulsaram a ditadura dos racistas do poder no Zimbábue, mas a luta
armada de dois movimentos de libertação; um liderado por Joshua Nkomo e
outro por Robert Mugabe, que em 1976 se uniram para criar a Frente
Patriótica, proclamando a independência em 1980” afirmou Jorge Gómez
Barata, professor, jornalista e pesquisador cubano, se referindo à
tentativa fracassada de Washington de aplicar mais sanções contra o país
africano.
“O
que os EUA e Londres querem não é um Zimbábue mais democrático, eles
querem é um Zimbábue servil”, assinalou, mostrando que o verdadeiro
motivo dos ataques é que as enormes riquezas minerais que existem na
região são defendidas por um governo soberano, que não aceita voltar ao
domínio colonial.
O
professor cubano lembra que esteve no país em 1980. “Depois de um
complicado processo e de uma intensa luta armada, catorze anos antes que
Nelson Mandela saísse do cárcere, em meio à guerra em Angola,
proclamou-se a independência do Zimbábue e Robert Mugabe, um negro,
assumiu a Presidência num dos dois países governados por brancos na
África Negra, alma gêmea da África do Sul”, sublinhou.
Ressaltando as dificuldades, o peso na economia e os privilégios dos
brancos num país em que o apartheid tinha sido banido, mas ainda o
marcava, Gómez apontou “a habilidade e inteligência de Mugabe para
aplicar políticas econômicas e sociais apropriadas, com as quais a
população negra conquistava impressionantes avanços”.
O
governo tornou a educação um direito humano básico, construiu muitas
escolas nas áreas rurais e bairros pobres urbanos e, hoje, o Zimbábue é
a nação com mais alto índice de educação de toda a África, com o maior
nível de alfabetização que atinge cerca de 95%. “Numa década se
obtiveram enormes avanços sociais e culturais, se reduziu a mortalidade
infantil a 60 por mil nascimentos, se atingiu a maior média de vida de
toda a África e se avançou na luta contra a fome e a pobreza”, disse.
O
jornalista assinalou que, “agravadas pela desintegração da União
Soviética, na década de 90, fortes sanções inglesas e norte-americanas
trouxeram tempos difíceis para o povo do Zimbábue, cujo governo reagiu
no mesmo espírito revolucionário que o manteve e o levou à vitória
durante a luta de libertação nacional. Diante da hostilidade
imperialista, tem buscado desenvolver soluções nacionais para fazer com
que o país cresça”.
O
governo do presidente Mugabe dirigiu um programa acelerado de reforma
agrária a partir do ano 2000, vinte anos depois da independência. A
demora em iniciar este programa foi provocada pela Constituição imposta
sobre o Zimbábue durante as negociações de paz de 1979. Foram
negociações que levaram às eleições e à independência do país. Porém, a
Constituição continha cláusulas que proibiam a aquisição e
redistribuição de terras nos dez primeiros anos depois da independência.
Após expirar as cláusulas restritivas nos anos 90, as tentativas do
governo de adquirir e redistribuir terra se depararam com uma
intransigência dos fazendeiros e do governo inglês, que se recusou a
liberar recursos de acordo com seus compromissos firmados. Em 1998,
camponeses e veteranos da guerra de libertação deram início à ocupação
das terras dos fazendeiros em todo o país.
As
dificuldades de contar com sementes, água, fertilizantes, ferramentas,
técnicos, máquinas, e créditos, fruto da ingerência externa, atrasaram o
desenvolvimento, “circunstância aproveitada por uma oposição oportunista
que nunca fez nada pelo país e agora assume os interesses dos
descendentes dos colonialistas e acena aos EUA e a Londres”, denunciou o
professor cubano, frisando que a política do Zimbábue “concerne só ao
seu povo”. |