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Falência do
banco IndyMac provoca corrida à boca do caixa na Califórnia
Centenas de clientes do banco hipotecário
IndyMac, da Califórnia, correram às 33 agências na segunda-feira, dia 14, e
fizeram fila para sacar o que podiam, após a falência do banco na
sexta-feira 11, e a decretação de intervenção federal. As filas, no estado
inteiro, começaram ainda na madrugada, e
o
órgão responsável para gerir a falência, o FDIC (Federal Deposit Insurance
Corporation - Corporação Federal para Garantia de Depósitos) só garante
depósitos até US$ 100.000 por depositante – e só por uma conta -, e até US$
250.000 para contas de aposentadoria do tipo “IRA”.
Até o dia 31 de março, o IndyMac registrava,
oficialmente, um total de depósitos de US$ 19 bilhões, que viraram fumaça.
Havia sido considerado, no ano passado, o segundo maior banco hipotecário
independente dos EUA. O FDIC avalia que cerca de 10 mil depositantes têm
fundos além do limite garantido, e estima em US$ 1 bilhão o valor
correspondente, de acordo com a Associated Press. A AP afirmou que, segundo
os reguladores federais, “levará anos” para resolver inteiramente as
questões pendentes do IndyMac. No dia da falência, sexta-feira 11,
atordoados clientes se amontoavam na frente das filiais do banco, com cenas
de gritos e indignação. Na sede do banco em Pasadena, o especialista em
tecnologia Jadgish Belagum, tentava manter os nervos sob controle. “Pensei
que estava em um país do terceiro mundo”, afirmou a um jornal local. “Eu não
acreditava que isso iria acontecer nos EUA”.
BANCO
FECHADO
Muita gente havia aberto contas recentemente,
atraída pela propaganda de altas taxas oferecidas pelo banco na tentativa de
escapar da quebradeira. Em Tustin, a cliente Lisa Vargas reclamou que,
quando seu marido foi ao banco na sexta-feira, o encontrou fechado, e quando
tentou depositar no Wells Fargo Bank um cheque do IndyMac, foi informado de
que levaria “seis dias” para compensação. Quando tentou retirar dinheiro em
um caixa automático, teve o cartão engolido.
Em Laguna Woods,
o aposentado Carl Lapidus, que havia uma semana antes transferido sua conta
da aposentadoria para o IndyMac, não sabia o que fazer. A cliente Carrie Lee
foi a primeira a chegar à fila da agência, às 4h45 da madrugada. “Quero meu
dinheiro”, afirmou. “Eu me sinto muito idiota por abrir uma conta apenas
duas semanas atrás, quando toda essa gente estava retirando seu dinheiro”,
relatou. “Mas (o pessoal do banco) me assegurou que tudo estava certo”. O
professor aposentado Charles Tengeri conseguiu receber um cheque no valor de
US$ 171.000, “as economias de uma vida inteira”. Já o cliente Harvey Soldan
passou o domingo em um hotel próximo para estar entre os primeiros na fila.
Quem tinha em conta valor superior ao limite de garantia do FDIC recebeu um
certificado, para poder pleitear a recuperação dessa diferença, se a
liquidação do banco permitir.
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