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Eletronuclear questiona as exigências
do Ibama para a construção de Angra 3
A Eletronuclear, estatal responsável pela
construção da usina nuclear de Angra 3, vai entregar ao Ibama (Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) as propostas
para cumprir as exigências da licença prévia “no prazo mais curto possível”,
segundo informou o assessor da presidência da estatal, Leonan Guimarães. A
estatal vai iniciar negociações com o Ibama para “chegar a um denominador
comum” sobre os limites das condicionantes ambientais colocadas pelo
Instituto.
Na licença prévia ambiental, concedida no dia
23, o Ibama pede que a questão do lixo nuclear seja resolvida antes do
início da operação da usina. A Eletronuclear quer saber qual a interpretação
do Ibama sobre a destinação final do lixo radioativo originado no processo
de geração de energia. “O que o Ibama entende por dar início ao projeto? Se
for dar início ao processo de licenciamento ambiental do projeto, isso é
perfeitamente viável”, disse Guimarães.
Para a efetiva retomada das obras, além da
Licença Prévia Ambiental, são necessárias as Licenças de Instalação, junto
ao IBAMA, e a de Construção, junto à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
O representante da Eletronuclear lembrou que,
antes da concretagem da laje de fundação do prédio do reator, serão
realizadas “obras preparatórias”, como preparação de canteiros e do terreno,
que o governo pretende iniciar em setembro. “O ponto a ser discutido com o
Ibama é se é necessário aguardar a licença de instalação para essas obras.
Mas não faz muito sentido o Ibama determinar isso, porque são trabalhos
preparatórios, de recuperação da área, que ficou muito tempo parada”,
avaliou.
Sobre o lixo nuclear, Leonan disse que “o que se
usa hoje no mundo é basicamente a tecnologia de piscinas, que é o que se faz
no Brasil. Não fazemos nada diferente do que se faz no mundo”. Ele lembrou
que a França, por exemplo, dona de um parque nuclear de 60 reatores,
estipulou um prazo até 2025 para a implementação de depósitos definitivos
para o lixo nuclear. Ele argumentou que países como Estados Unidos, França,
Suécia e Japão estão com projetos em andamento para instalar depósitos de
resíduos radioativos daqui a pelo menos oito anos. “E eles têm uma
quantidade de resíduos incomparavelmente maior que a brasileira. Temos
armazenado em volume cerca de 100 metros cúbicos em Angra 1 e 2, o que é uma
quantidade muito pequena”, ressaltou.
A estatal também terá que capacitar uma
instituição para realizar o monitoramento independente da usina, segundo o
Ibama. “Hoje não existe nenhuma instituição que faça esse trabalho que nós
fazemos. É um problema de capacitar, e leva tempo para isso funcionar”,
apontou Leonan Guimarães.
O governo prevê que a obra estará concluída até
o final de agosto de 2014. |