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Gabrielli: enquanto não muda a lei, 8ª rodada de petróleo está descartada
Em audiências no Senado e na Câmara, nos dias 3
e 4, o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, defendeu a mudança da
Lei do Petróleo (Lei nº 9.478), em função das descobertas localizadas no
pré-sal, como o gigantesco campo de Tupi. Essas novas áreas estão sendo
alvos de cobiça por parte das grandes corporações de petróleo. “A realidade
atual é diferente, devido às novas descobertas de campos petrolíferos, o que
reduziu os riscos da exploração. Além disso, há a possibilidade de
descobertas de áreas ainda não conhecidas”, disse Gabrielli.
Atualmente, a exploração é feita através de
concessão, em que as empresas vencedoras dos leilões ganham o direito
explorar os blocos e pagam royalties ao governo e uma participação especial
(tributo), que varia até 40%, de acordo com o tamanho do campo. No regime de
partilha, o petróleo pertence à União.
Segundo o presidente da Comissão de Assuntos
Econômicos do Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), no primeiro trimestre
deste ano, apenas 14 das 74 plataformas marítimas e 6 das 179 plataformas em
terra pagaram participações especiais. O maior tributo incidiu sobre o campo
de Marlim, na Bacia de Campos. “Vamos falar claro: só a Petrobrás paga”,
sublinhou Mercadante.
Para o presidente da Petrobrás, a 8ª Rodada de
Licitações da Agência Nacional de Petróleo (ANP), suspensa pela Justiça, não
deve ser retomada enquanto a Lei não for alterada, uma vez que essa Rodada
inclui blocos contíguos a área identificadas como alto potencial
petrolífero. “Nossa posição é que a 8ª Rodada, se for realizada, não deveria
conter os blocos que estão nas franjas do pré-sal. Se retomarmos a rodada
com as franjas do pré-sal, estaremos dando aos participantes grandes chances
de achar um bilhete premiado”, frisou Sérgio Gabrielli.
O diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, que também
participou da audiência pública, se posicionou contrário à mudança da Lei do
Petróleo dizendo que mudar a lei “poderá truncar o processo de exploração do
petróleo no Brasil”. Haroldo foi apoiado pelo presidente da multinacional
Repsol e do Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis, João
Carlos de Luca, entidade que reúne Esso, Shell, Chevron... “O melhor seria
não mexer na lei, pois isso poderá paralisar o setor”, disse.
Ao ser questionado pelo senador Heráclito Fortes
(DEM-PI) sobre se os Estados Unidos estavam respeitando a faixa marítima de
200 milhas, o dirigente da ANP disse que tem se interessado pelo tema e que
não tem havido problemas a esse respeito. Recentemente, Haroldo Lima, ao
defender a retomada da 8ª rodada, expôs o limite territorial do Brasil, ao
dizer que os Estados Unidos não respeitam as 200 milhas. |