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Partidos de 38 países defendem unidade no movimento sindical
Encontro organizado pelo Partido do Trabalho da Bélgica (PTB) debateu o ascenso
do movimento operário no mundo na luta contra o imperialismo
Foi
realizado em Bruxelas, com o tema “A classe operária, seu papel e sua missão
atual. As tarefas e as experiências concretas do Partido Comunista na classe
operária e no sindicato”, o 17º Seminário Comunista Internacional, promovido
pelo Partido do Trabalho da Bélgica.
Com a presença de 47
partidos revolucionários de 38 países, o encontro debateu, entre os dias 16 e 18
de maio, o ascenso do movimento dos trabalhadores no mundo inteiro, o
aprofundamento da decadência do imperialismo, principalmente o norte-americano,
e o trabalho dos comunistas no fortalecimento dos sindicatos, como entidades que
organizam todos os trabalhadores, independentemente de sua ideologia.
“Nossa luta deve ter
como objetivo central isolar o imperialismo norte-americano e seus monopólios em
todas as partes do mundo. Construir uma grande frente internacional contra o
imperialismo norte-americano. Unir a classe operária dos vários países neste
objetivo. Debilitar o inimigo principal e, dessa forma, enfraquecer e isolar
seus aliados existentes em todos os nossos países”, afirmou Nelson Chaves,
secretário de Relações Internacionais do Movimento Revolucionário 8 de Outubro,
MR8, no Seminário.
Desde 1992, o
evento, organizado todos os anos em Bruxelas, reúne partidos e organizações que
defendem o marxismo-leninismo. Cerca de 150 organizações da África, América
Latina e do Norte, Ásia e Europa têm participado em seus trabalhos.
LULA
Nivaldo Santana,
membro do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PC do B) e
vice-presidente da CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil), destacou os
avanços obtidos no Brasil com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Podemos afirmar que o Brasil vive uma situação singular de combinar três
fatores raros na história política do país: democracia, desenvolvimento e
distribuição de renda. Esses três fatores se combinam com uma política externa
voltada para a priorização das relações Sul-Sul, com ênfase na integração
latino-americana. Esse rumo mais geral tem merecido o respaldo das forças
progressistas do país e conferido grande popularidade ao governo”, afirmou
Nivaldo, denunciando as sabotagens do Banco Central ao crescimento em curso no
país: “Não obstante esses aspectos positivos, o país vive também seus impasses e
contradições. O Banco Central do Brasil, dominado por setores vinculados ao
capital financeiro e gozando de larga autonomia, na prática funciona como um
freio ao crescimento do país”.
A resolução aprovada
no seminário advertiu que “se acreditamos nas estatísticas burguesas, a classe
operária estaria em vias de desaparição nos países capitalistas avançados,
depois da ‘terceirização’ da economia. Mas essas cifras falseiam a realidade:
muitos serviços eram considerados antes como parte da cadeia de produção e ficam
intimamente ligados à produção”. Esclareceu que “enquanto o número de empregos
industriais diminui em certos setores nos países ocidentais, o número total de
empregos industriais permanece estável e o número de operários fabris cresce na
Ásia, África e América Latina”.
FSM
Após um rico
intercâmbio de experiências e idéias, os participantes no evento concluíram que
“as forças sindicais devem se unir em nível nacional, regional e setorial, assim
como em nível internacional, no seio da Federação Sindical Mundial (FSM)”, e
estabelecer linhas de ação conjunta com todas as outras entidades sindicais
internacionais, mostrando que “diante da evolução da classe operária, o papel
unificador dos sindicatos se transforma numa necessidade ainda mais urgente”.
“A ‘saúde’ do
capitalismo mundial é extremamente frágil e se sustenta artificialmente pelas
bolhas especulativas. A luta dos monopólios pelos mercados e as matérias primas,
incluídos os produtos agrícolas e os produtos alimentares, causa um aumento de
preços, reforçado ainda mais pela especulação. Isso leva a mais empobrecimento
das massas trabalhadoras, o que suscita revoltas e movimentos populares em luta
por um maior poder aquisitivo no mundo inteiro”, disse o documento, assegurando
que, apesar de que a classe operária ter sofrido uma degradação de suas
condições de vida, ela tem mais conhecimentos dos processos científicos e
tecnológicos, fato que “a deixa melhor preparada para realizar e dirigir a
sociedade socialista. Está em situação de dominar o aparato de produção,
socializá-lo e pô-lo à serviço de todo o planeta. Desta maneira é portadora do
porvir”.
m outra importante
passagem da resolução, se ressalta que “os partidos comunistas dão uma
importância prioritária ao trabalho no seio da classe operária. No trabalho
sindical mesmo, os comunistas se distinguem pela sua decisão em fazer avançar a
luta, pelo seu apoio a tudo o que unifica, que é positivo e reforça os
sindicatos como organização dos trabalhadores”.
Além
dos partidos que estiveram em Bruxelas, mais 45 agremiações de 28 países se
solidarizaram com o 17º Seminário, impossibilitados de comparecer pessoalmente
ao evento.
SUSANA SANTOS |