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Vitorioso,
Obama impulsiona a unidade para fazer a mudança
Ao anunciar
a uma multidão na noite de 3 de junho que ganhara a indicação dos Democratas
como candidato à presidência dos EUA, o senador Obama defendeu a unidade
partidária, indispensável para a vitória e para fazer as inadiáveis mudanças
no país
“Por que vocês decidiram que a mudança deve
chegar a Washington, porque vocês escolheram ouvir, não suas dúvidas e
medos, mas sim as suas maiores esperanças e aspirações, esta noite nós
marcamos o fim de uma jornada histórica com o começo de uma outra – uma
jornada que trará novos e melhores dias para a América”, afirmou o senador
Barack Obama, em St. Paul, Minnesota, na terça-feira
dia 3, ao anunciar a uma multidão ser o indicado do Partido Democrata à
presidência dos EUA nas eleições de novembro. No próximo sábado, de acordo
com a campanha da senadora Hillary Clinton - que disputou com ele ao longo
de 54 primárias -, ela deverá fazer o reconhecimento formal da vitória de Obama, que já nomeou uma comissão para buscar o melhor nome de vice. Muitos
sugerem uma dobradinha Obama-Hillary.
“As urnas falaram”, afirmou em comunicado a
direção dos democratas, ao encerramento das primárias no dia 3, enquanto os
mais diversos setores se empenham nos últimos retoques para consagrar a
unidade do partido e das mais de 30 milhões de pessoas que participaram das
prévias, para levar McCain/Bush à derrota. A avalanche de definições de
delegados à convenção em favor de Obama, entre eles o ex-presidente Jimmy
Carter, no dia das últimas primárias, acabou por definir, de vez, a disputa.
A indicação coroou uma campanha que surpreendeu e empolgou os EUA, e que
transformou Obama, de um senador novato, e afro-americano, no maior líder do
país em apenas alguns meses, graças à sua pregação da superação das divisões
entre americanos, e de fim da guerra do Iraque.
HOMENAGEM
A multidão em St. Paul aplaudiu sua homenagem a
Hillary Clinton, sobre quem disse “ter ido mais longe nessa jornada que
qualquer outro”. Ela fez história nessa campanha, acrescentou, “não apenas
porque é uma mulher que fez o que mulher alguma havia feito antes, mas
porque ela é a líder que inspira milhões de americanos com sua força, sua
coragem, e seu compromisso às causas que nos trouxeram aqui esta noite”.
Sobre o significado das primárias, Obama apontou
que “milhões de americanos pela primeira vez depositaram seu voto”.
Referiu-se, também, aos “independentes e republicanos que compreenderam que
essa eleição não é apenas sobre uma mudança de partido em Washington, mas
sobre a necess idade
de mudar Washington”. Ele ressaltou, ainda, “os jovens, os afro-americanos,
os latinos, as mulheres de todas as idades que votaram em números que
quebraram recordes e inspiraram uma nação”.
Ele falou então sobre o lema da sua campanha:
“Mudança”. Mudança, afirmou, é um a política externa “que não comece e que
termine uma guerra que nunca deveria ter sido autorizada e jamais ter sido
desencadeada”. “O que não é uma opção é deixar nossas tropas naquele país
nos próximos 100 anos”, reiterou, numa referência à estúpida proposta de
McCain para o Iraque. Ele convocou os EUA a retomarem “o legado de
Roosevelt, Truman e Kennedy”.
EDUCAÇÃO
Mudança – assinalou - é construir “uma economia
que recompense não apenas a riqueza, mas também o trabalho e os
trabalhadores que o criaram”. É compreender que os apertos com que as
famílias trabalhadoras se defrontam não podem ser resolvidos por gastar
bilhões de dólares em mais cortes de impostos para as grandes corporações e
os CEOs ricos, mas por dar um corte de impostos à classe média que precisa;
investir em nossa infra-estrutura, hoje aos pedaços; transformar como nós
usamos energia; melhorar nossas escolas; e renovar nosso compromisso com a
ciência e a inovação”. Mudança é ainda “finalmente, decidir que a chance de
ter uma educação universitária não dever ser privilégio de uns poucos ricos,
mas um direito de nascença de cada americano”.
RÓTULOS
Ele convocou o país a um reencontro. “Por trás
de todos os falsos rótulos e falsas divisões e categorias que nos definem; e
para além de toda a mesquinharia de Washington, os americanos são um povo
decente, generoso e compassivo, unido por desafios comuns e esperanças
comuns”. Lembrando a contribuição dada por cada geração, desde Filadélfia
até Selma, ele convocou a atual geração a assumir seu papel. “América, esta
é a nossa vez”.
Obama concluiu: “Se estivermos decididos a
trabalhar por isso, a lutar por isso, e crermos nisso, então estou
absolutamente certo de que as gerações vindouras, serão capazes de olhar
para trás e dizer a seus filhos que este foi o momento em que começamos a
prover assistência médica aos doentes e bons empregos aos desempregados; que
este é o momento em que a subida de nível dos oceanos começou a amainar e
nosso planeta a ficar curado; que este foi o momento quando nós terminamos
uma guerra, demos segurança à nossa nação e restauramos nossa imagem”.
ANTONIO PIMENTA
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