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Rombo de US$ 5
bilhões derruba ações do banco Lehman Brothers
O Lehman Brothers - um dos cinco maiores bancos
de investimentos dos EUA - teve queda abrupta em torno de 22% no valor de
suas ações nos dois primeiros dias da semana, depois que circulou a
informação de que teria que vender cerca de US$ 5 bilhões em ações para
zerar as perdas no segundo semestre, a serem anunciadas no final do mês.
Isso após o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, ter declarado há
cerca de 15 dias que “estamos mais próximos do fim [da crise] do que do
começo” e que “as condições melhoraram ao ponto de que, as forças econômicas
ao invés das preocupações com os créditos, vão influenciar os mercados
financeiros”.
O Lehman Brothers contou com a ajuda do Wall
Street Journal que destacou o movimento dos executivos e operadores do banco
que estariam recomprando ações que venderam quando haviam começado a cair. A
manobra não surtiu o efeito desejado uma vez que, ao mesmo tempo, circulam
informações de que, para levantar capital, o banco está ofertando as ações
pela metade do preço.
Entre os títulos da carteira do Lehman estão US$
6,5bilhões em CDOs (Collateralized Debt Obligations). Títulos
“colateralizados” são os que têm por base outros títulos. Como eles mesmos
definem, títulos respaldados por títulos, respaldados em ações, ou seja,
papel que “lastreia” papel, que “lastreia” papel. Para defender a própria
credibilidade os jornais que orientam a especulação agora acabam deixando
escapar algumas verdades: o site Fortune 500 alerta seus leitores de que “os
operadores consideram que 25% dos papéis [que o banco exibe como lastro] não
valem nada”. Um castelo de cartas prestes a despencar. Papéis que antes eram
negociados pelo valor total de US$ 1,625 bilhão, agora sem nenhum valor. O
Fortune admite que os demais CDOs valem agora a metade do seu valor-face.
Para piorar o quadro, o banco tem subsidiárias
que atuam com títulos baseados em hipotecas de residências e lojas com
capital somado de US$ 39 bilhões, portanto, totalmente expostos à débâcle
causada pelo estouro da pirâmide das hipotecas.
Na segunda-feira, 17 de março, logo após o
anúncio da bancarrota do banco Bear Stearns, comprado pelo J P Morgan
durante o domingo numa operação respaldada pelo Fed, as ações do Lehman
caíram 12,6% na bolsa de Nova Iorque. A boataria de que o Lehman seria o
próximo a quebrar corria solta e, para conter o pânico, o presidente do
banco, Richard Fuld, disse que “as medidas anunciadas pelo Fed encerram a
discussão sobre a liquidez da indústria [sic] de fundos como um todo”. Agora
o castelo de cartas recomeçou a balançar. E, desta vez, os jornais que atuam
na bolsa mal conseguem esconder a paúra: “Os problemas de balanço da Lehman
Brothers ameaça danificar o sistema financeiro a menos que o banco tome
ações decisivas”, diz a coluna do Wall Street Journal denominada “Escutado
nas ruas”. |