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Denise Abreu quer esconder o lobby que fazia na Anac
A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação
Civil (Anac), Denise Abreu, procurou o PSDB - partido ao qual pertenceu até
o início do governo Lula -, inclusive os senadores Sérgio Guerra e Tasso
Jereissati, para pedir apoio às acusações que pretendia fazer ao governo.
Segundo ela, a ministra Dilma Roussef pressionou a Anac em favor da Volo
Brasil, empresa formada pelo fundo norte-americano Matlin Patterson e por
três “investidores” brasileiros, na compra da VarigLog.
A Volo não teria comprovado que 80% das ações
estariam nas mãos de brasileiros, como exigia a legislação. O juiz que
conduziu a operação desmentiu a ex-diretora da Anac. Além disso, a Anac
teria dispensado a apresentação da certidão negativa de INSS e a comprovação
de que eles teriam condições financeiras de arcar com o negócio.
Também em relação a essas últimas questões,
Denise Abreu está mentindo. A procuradoria-geral da Anac, em parecer exarado
no dia 23 de junho de 2006, esclareceu que a certidão e a comprovação
mencionadas não podiam ser exigidas - a primeira por se tratar de pessoas
físicas e a segunda porque violaria o sigilo fiscal.
Portanto, quando a ministra Dilma afirmou que as
acusações são falsas, estava amparada nos fatos - e em documentos.
O caso da VarigLog, depois de comprada pela Volo,
não é diferente do caso da TVA, onde a Abril serve de laranja para a
Telefónica, ou do caso da NET, onde a Globo faz o mesmo papel para a AT&T/Telmex.
Diante das restrições legais, um fundo americano tinha três brasileiros,
formalmente donos de 80% do capital votante, mas apenas de 40% do capital
total da empresa. Assim, com esse recurso a laranjas, o Matlin Patterson
contornou as exigências da lei, com aprovação, inclusive, da Justiça. Que
temos de acabar com esses laranjais, não há dúvida. Mas também temos de
acabar com lobistas incrustrados em cargos públicos, sempre dispostos a
babar algumas gotas de gasolina na fogueira golpista, logo que vão parar na
rua da amargura.
Denise foi convocada para dar explicações ao
Senado. Sem dúvida, precisa explicar porque aprovou o negócio. Segundo a
ministra Dilma, não houve pressão. E, mesmo que tivesse havido, a
ex-diretora da Anac não era obrigada a aceitar. Ninguém pode alegar ordem
superior, quanto mais apenas pressão, como justificativa para cometer alguma
ilegalidade. No seu caso, inclusive, era detentora de um mandato na Anac que
nem o governo poderia revogar.
A ex-diretora, na verdade, esconde, com essas
acusações, o verdadeiro problema: que ela colocou os impecilhos que pôde, de
resto inteiramente artificiais, à compra da VarigLog, porque estava fazendo
lobby para a TAM.
O senador tucano Sérgio Guerra declarou que “ela
me procurou dizendo que estava sendo perseguida e queria se defender”. No
entanto, quem denunciou a ex-diretora foi a Justiça e a CPI da questão
aérea, por ter falsificado documentos sobre o aeroporto de Congonhas em
benefício de empresas privadas. Além disso, teve viagens pessoais pagas pela
TAM. “Na época em que ela nos procurou, avaliamos que estava faltando liga,
provas, e sugerimos que ela deveria buscar a imprensa. Acho que foi o que
ela fez”, disse o presidente do PSDB.
Com a Varig em frangalhos, o governo agiu para
tentar impedir o seu fechamento, com mais de 8 mil trabalhadores perdendo
seus empregos. Assim, tentou viabilizar, dentro da nova lei de falências, a
venda da VarigLog. O processo foi dirigido pelo juiz Luiz Roberto Ayoub, da
8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Segundo o juiz, a nova empresa teria
cumprido as exigências legais e, por isso, ele aprovou a venda. A outra
opção que o governo tinha seria aplicar o Código Brasileiro de Aeronáutica
que determina em seu artigo 188 que “o Poder Executivo poderá intervir nas
empresas concessionárias ou autorizadas, cuja situação operacional,
financeira ou econômica ameace a continuidade dos serviços, a eficiência ou
a segurança do transporte aéreo”.
SÉRGIO CRUZ
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