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Ex-genro e ex-ministro de FH levaram Varig à bancarrota
Em matéria publicada no domingo pelo portal Vermelho, Cláudio Gonzalez denuncia que a atual armação dos tucanos sobre um
suposto escândalo envolvendo a venda da Varig tem o objetivo de tentar atingir o
governo Lula e a ministra Dilma Roussef. Segundo Gonzalez, a Varig foi levada à
falência pelos próprios tucanos que assumiram a administração da empresa em
2005, entre eles David Zylbersztajn, ex-genro de FHC. Abaixo publicamos os
principais trechos do artigo do Vermelho.
“Não falta munição para sustentar as suspeitas
que pesam contra o PSDB neste episódio. Basta lembrar a matéria de capa da
revista IstoÉ Dinheiro de 2005. Na reportagem, a revista denuncia como o
Conselho de Administração da Varig foi transformado num ninho de tucanos que,
mais tarde, acabaram levando a empresa à falência.
Naquele ano, Ernesto Zanata, então presidente do
Conselho de Curadores da Fundação Ruben Berta, dona de 87% das ações da Varig,
nomeou um conselho de experts para tentar salvar a empresa. E o consultor David
Zylbersztajn, ex-genro de Fernando Henrique Cardoso, que presidiu a Agência
Nacional do Petróleo, emergiu como o novo presidente do Conselho de
Administração da Varig. Cabe aqui um parênteses: Nesta última semana de junho, o
nome de Zylberstajn apareceu nas investigações sobre os negócios suspeitos da
empreiteira Alstom com o governo de São Paulo e do fundo Matlin Patterson com a
Varig.
Mas voltando a 2005, quando Zylbersztajn tentava
“salvar” a Varig, ele havia dito que a empresa já estava morta. Mas depois
aceitou o desafio de tentar recuperá-la. A primeira providência de Zylbersztajn
foi se cercar de profissionais que, de uma forma ou de outra, estavam ligados ao
PSDB. O primeiro a chegar foi Omar Carneiro da Cunha, ex-presidente da Shell e
filiado ao partido. Depois vieram Eleazar de Carvalho, ex-presidente do BNDES na
gestão FHC; Marcos Azambuja, que foi embaixador do Brasil na França no governo
FHC, e o brigadeiro Sérgio Ferolla, ex-ministro do Superior Tribunal Militar.
Para a vaga de presidente executivo foi escolhido Henrique Neves, ex-presidente
da Brasil Telecom. Homem de confiança de Zylbersztajn.
Foi esta turma que planejou as condições para a
venda da Varig. Entre as propostas apresentadas por eles estavam a do empresário
Nelson Tanure; a da Ocean Air, de German Efromovich; da empresa aérea TAP; do
grupo português Pestana; de um fundo de investimentos do Texas; de outro grupo
português ligado a um fundo chamado Fonditec e financiado pela seita católica
Opus Dei, a mesma de Geraldo Alckmin. Havia ainda propostas de compra da Varig
feitas pela companhia aérea Avianca e até uma da associação dos funcionários da
própria Varig.
Mas antes do time tucano montado pelo ex-genro
de FHC entrar na jogada milionária, um outro tucano de alta plumagem também
deixou suas impressões digitais na massa falida da empresa.
Foi ninguém menos que o ex-chefe da Casa Civil
do Governo Fernando Henrique, Clóvis Carvalho, quem esteve durante quatro meses
sentado na cadeira do Conselho de Administração da Varig. Ao seu lado estava o
economista José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário da Camex (Câmara de
Comércio Exterior), Arnim Lore (que foi presidente executivo da Varig), Luiz
Espínola e Joaquim Fernandes Santos.
Eles foram empossados no comando da empresa em
2002, enquanto a companhia faturava anualmente R$ 8 bilhões e liderava a aviação
comercial brasileira doméstica e internacional. No comando da Varig, os
representantes oriundos do governo tucano elaboraram um documento no qual os
acionistas renunciavam a uma série de direitos, passando a serem meros
espectadores da gestão que eles passariam a ter na companhia.
Pouco tempo depois, a Varig afundava numa crise
sem precedentes que nem mesmo os técnicos tucanos, paladinos da excelência
administrativa e do choque de gestão conseguiram resolver.
Agora que Denise Abreu resolveu voltar suas
baterias contra o governo Lula, parlamentares tucanos querem que a ministra
Dilma vá ao Congresso explicar por que a Varig foi vendida por uma valor abaixo
do que era esperado. Mas, pelo histórico recente da Varig, parece que quem deve
explicações são os próprios tucanos”.
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