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Governo de Yeda às voltas com mais demissões e gravações
Os diálogos gravados revelados pela CPI do
Detran envolvendo assessores diretos da governadora Yeda Crusius (PSDB)
ampliaram a crise no governo da tucana. Na tentativa de abafar a crise, Yeda
afastou o secretário-geral de governo, Delson Martini, o chefe do escritório do
Estado em Brasília, Marcelo Cavalcante, e o comandante-geral da Brigada Militar,
Nilson Nobre Bueno.
A CPI investiga uma fraude de R$ 44 milhões no
Detran. Na semana passada, a CPI do Detran também ouviu a reprodução de 34
ligações interceptadas pela Polícia Federal, na Operação Rodin, que envolvem
diretamente o secretário de governo e de comunicação, o tucano Delson Martini,
na intermediação das negociações entre os acusados da fraude. Em pelo menos duas
ligações, a governadora é citada como quem decidiria uma disputa entre os
fraudadores.
No sábado, o ex-chefe da Casa Civil do governo
tucano do Rio Grande do Sul, Cézar Busatto (PPS), pediu demissão, após ser
divulgada na CPI uma gravação feita pelo vice-governador Paulo Feijó (Dem), em
que o ex-chefe da Casa Civil procura demover o vice de fazer oposição acirrada
ao governo de Yeda. Na conversa gravada, Busatto disse ao vice-governador que é
necessário fazer concessões para ter maioria no parlamento e deu a entender que
órgãos públicos como o Detran, o Departamento Estadual de Estradas e Rodagem (Daer)
e o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) foram fontes de
financiamento para partidos aliados.
Em depoimento na CPI Detran/RS, na
segunda-feira, Busatto declarou que não estava se referindo a formas irregulares
de financiamento, mas que no sistema político-partidário atual os partidos
utilizam cargos no governo para obter financiamento de campanhas eleitorais.
Disse que seria hipócrita se não considerasse isso.
Ele se disse vítima de uma “tocaia” urdida pelo
vice. E desafiou Feijó a divulgar a íntegra da conversa gravada. Segundo ele, a
fita tem mais de uma hora de conversa e só vieram a público cerca de 20 minutos.
Segundo Busatto, o objetivo do vice é “aniquilar o Estado, desmontar o
patrimônio imaterial que é a confiança dos gaúchos e o patrimônio material que é
o Banrisul e, confirmado o ‘impedimento’ da governadora, assumir o governo do
Estado”.
O depoimento foi conturbado, com o ex-chefe da
Casa Civil reagindo asperamente à deputada Stela Farias (PT) quando ela
perguntou se ele achava que tinha “prevaricado”. A situação chegou a tal ponto
que Busatto se sentiu mal e o depoimento foi suspenso por alguns minutos.
O secretário de governo Delson Martini, um dos
auxiliares mais próximos de Yeda Crusius, é mencionado várias vezes nos diálogos
captados pela polícia. Em um deles, entre Flavio Vaz Netto, ex-presidente do
Detran/RS, e Antônio Dorneu Maciel, ex-diretor da CEEE (Companhia Estadual de
Energia Elétrica), ambos réus na ação judicial aberta a pedido do Ministério
Público, o secretário é citado como um “parceiro na desgraça, na alegria e na
bonança” e como alguém encarregado de tomar decisões e definir orientações
relativas a questões do Detran.
Por sua vez o Dem discute se expulsa do partido
o vice Paulo Feijó, como defende o senador Heráclito Fortes (PI) alegando que
ele quebrou o decoro ao gravar a conversa, ou não conforme requerem o líder no
Senado, Agripino Maia (RN) e o deputado Ônix Lorenzzoni (RS). |