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Chávez conclama as FARC à libertação dos detidos
O
presidente da Venezuela, Hugo Chávez, se dirigiu a Alfonso Cano, novo líder das
Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), pedindo que libertem todos os
retidos pela organização. “Agora lhe digo a (Alfonso) Cano: vamos, soltem toda
essa gente, ai tem velhos, mulheres, doentes e soldados que têm mais de 10 anos
nessa montanha”, declarou.
Durante a transmissão do programa Alô Presidente desde o
estado Falcón, no último domingo, o presidente conclamou o substituto
hierárquico do falecido comandante Manuel Marulanda, Tirofijo: “Eu penso que
chegou a hora de que as FARC libertem a todos os que estão na montanha sem nada
em troca. Seria um grande gesto humanitário e poderá ser o primeiro passo para
que acabe a guerra interna na Colômbia”.
Assinalou que nesse sentido, existe a vontade de um
importante grupo de países, entre eles o Brasil, França, Argentina, Espanha, a
própria Venezuela, Nicarágua, e Equador, para garantir que esses processos de
paz se cumpram, assim como ocorreu na América Central com os movimentos em armas
da Nicarágua e El Salvador.
“Vocês nas FARC devem saber uma coisa: que se transformaram
em um pretexto do Império para nos ameaçar a todos. São o pretexto perfeito. O
dia em que se faça a paz na Colômbia acabou o pretexto”, acrescentou Chávez.
Lembrou que recentemente tem se divulgado que Washington
quer estabelecer mais uma base na Colômbia, dado que o governo do Equador já
antecipou que o próximo ano não renovará a autorização para as instalações
aéreas na localidade de Manta, na costa do Pacífico.
“Há várias (bases na Colômbia), mas essa é uma ameaça
contra a Venezuela e o pretexto é o por eles chamado de terrorismo. Esta é uma
mensagem a Cano e ao mundo: peço ajuda desde aqui, porque me sinto grão
colombiano e Colômbia me dói. Já basta de tanta guerra, chegou a hora de
sentar-se para falar de paz. É a nossa vontade na Venezuela”, disse se referindo
à Grande Colômbia, que foi integrada pelo que agora são Venezuela, Colômbia,
Equador e Panamá após sua independência da Espanha, no início do século XIX.
“A estas alturas, na América Latina está fora de ordem um
movimento guerrilheiro armado, há que dizer isso às FARC. Queria dizer isso a
Marulanda; o disse várias vezes publicamente no final. Não lhe escrevi porque
não o considerei oportuno, porque o que eu queria era falar com ele”, assegurou.
Chávez trabalhou como mediador entre as FARC e o presidente
Álvaro Uribe no final de 2007, na tentativa de libertar reféns, principalmente a
ex-candidata à presidência Ingrid Bettancourt, até que o colombiano rompeu o
acordo. Nesse esforço estiveram envolvidos a senadora colombiana de oposição
Piedad Córdoba, e o presidente francês Nicolas Sarkozy.
Apesar da ruptura das negociações, as FARC liberaram seis
reféns, com o apoio do governo venezuelano. |