|
Para especuladores, gastos públicos só com banqueiros
Chiadeira com
PIB recorde de 5,8% no primeiro trimestre visa frear o crescimento econômico
O Produto Interno Bruto (PIB) apresentou
crescimento de 5,8% no primeiro trimestre, ante o mesmo período do ano passado,
puxado pelo aumento de 6,6% no consumo das famílias e de 5,8% no consumo do
governo, divulgou o IBGE, no dia 10. Na comparação com os doze meses terminados
no primeiro trimestre de 2008, a expansão da economia foi de 5,8%, o maior dos
últimos 12 anos.
Foi o que bastou para uma onda de ataques por
parte dos especuladores e de setores da mídia contra os gastos públicos – um dos
principais responsáveis pelo bom desempenho da economia brasileira no período –,
com o objetivo de derrubar a demanda e a produção. Não por outro motivo passaram
a defender não mais um aumento 0,5 ponto percentual da taxa Selic na próxima
reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), apontado no último boletim
Focus do Banco Central, mas entre 0,75 e 1 ponto percentual, o que elevaria o
juros básicos para mais de 14% ao ano em 2008, exgido anteriormente. Ou seja,
tencionam que os gastos do governo sejam desviados exclusivamente para o ralo
dos juros e, ao mesmo tempo, reduzir drasticamente o consumo da população.
O resultado do PIB ficou acima do desejado pelo
Banco Central, que através do relatório Focus -pesquisa semanal feita junto ao
“mercado” - divulgado no dia anterior, previa um crescimento de 4,77% até o
final deste ano. Para o ano que vem, a previsão do PIB é de 4%. A estimativa de
inflação oficial (IPCA) também aumentou de 5,48% para 5,55% em 2008.
Deixando de lado a inflação, os especuladores
bradaram contra o aumento dos gastos públicos e defenderam uma “ação mais
enérgica” de Meirelles para acelerar a elevação da taxa de juros básicos (Selic)
dos atuais 0,5 ponto percentual para 0,75 p.p. já na próxima reunião do Copom em
julho. Ou seja, o único gasto público que eles admitem é desvio dos recursos do
Tesouro para os cofres dos bancos estrangeiros.
Ou seja, uma sabotagem aberta ao esforço nacional pelo crescimento econômico
alavancado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo Lula,
pela expansão do crédito, aumento real dos salários e do consumo das famílias
brasileiras, com índice recorde de geração de empregos formais no país.
Porém, o mais significativo da campanha contra
os gastos públicos foi que deixaram a inflação de lado, escancarando de vez o
verdadeiro objetivo: impedir o crescimento do país. Menos gastos públicos
significa menos verbas para o PAC e, portanto, significa a volta para uma
situação em que, nas palavras do presidente da República, a economia se
encontrava travada, com crescimento rastejante, de no máximo 3,5%, como apregoam
os defensores do corte dos gastos do governo.
Como disse o vice-presidente da República, José
Alencar, “não podemos ficar temerosos quando há uma demanda por bens de consumo.
O nosso país ainda é de subconsumo”. |