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Centrais sindicais respaldam proposta do MEC
Sistema S deve ser
democratizado para ampliar qualificação profissional
Entidades somam forças pela criação do Fundo Nacional de Formação
Técnica e Profissional (Funtep). Estudantes do ensino médio das escolas
públicas e trabalhadores desempregados terão prioridade no acesso aos
cursos, que serão inteiramente gratuitos
As centrais sindicais
defenderam, em reunião com representantes do Ministério da Educação, a
proposta do governo federal de reformular a legislação que rege o
“Sistema S” e criar o Fundo Nacional de Formação Técnica e Profissional
(Funtep). De acordo com as entidades, o objetivo do Funtep é ampliar a
oferta de cursos de formação profissional gratuitos. A criação do fundo
vai beneficiar, principalmente, alunos do ensino médio das escolas
públicas e trabalhadores desempregados que recebem o seguro-desemprego,
que terão a oportunidade de qualificação e de serem reinseridos no
mercado de trabalho.
RECURSOS
Os recursos do
“Sistema S” são geridos por nove entidades ligadas ao setor patronal,
que recebem do governo as chamadas contribuições “para-fiscais”. Estas
verbas são públicas, mas as entidades beneficiadas são privadas. Os
valores destinados ao sistema advêm do imposto de 2,5% cobrado sobre a
folha de pagamento. Com o crescimento da economia e o aumento do
trabalho formal, a arrecadação destinada às entidades empresariais está
batendo recordes anuais. A estimativa é de que R$ 11 bilhões tenham sido
destinados no ano passado para este fim, valor que supera o orçamento da
Bolsa-Família (R$ 8,3 bilhões) e semelhante a outros programas de
investimento do governo federal.
O 1º secretário
nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Adeilson Telles,
declarou que “considera positiva a idéia de formação de um conselho
tripartite (governo, trabalhadores e empregadores) para gestão do Funtep”,
devido à importância e a magnitude do projeto, democratizando a gestão
dos recursos..
SOLUÇÃO
O presidente da
Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP),
destacou que a proposta pode ajudar a solucionar o problema da falta de
mão-de-obra especializada. “O Brasil avançou no setor de tecnologia, as
fábricas se modernizaram, mas os trabalhadores nunca tiveram a
oportunidade de acompanhar esse investimento. Vários setores sofrem com
o problema da falta de mão-de-obra qualificada”, sublinhou Paulinho.
O presidente regional
da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB-DF), Waldir Ferreira,
afirmou que os dirigentes das centrais presentes à reunião “consideraram
que a criação do Funtep é uma boa medida para apoiar o sistema de
qualificação profissional e reestruturação do Sistema S - que deve
servir para democratizar o acesso da população aos serviços oferecidos,
além de defenderam uma democratização maior na gestão dos recursos, que
são públicos”.
REPASSE
Ricardo Patah,
presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), ressaltou que um dos
pontos mais interessantes é que se prevê o repasse de parte dos recursos
do Sistema S às escolas públicas de ensino fundamental. “Os recursos
desse sistema são canalizados somente para algumas categorias
profissionais. Não havia a participação ampliada da sociedade. A
proposta é o início de uma mudança importante para o país”, apontou.
INCLUSÃO
Segundo alertaram os
sindicalistas, uma das principais criticas lançada atualmente contra o
“Sistema S” está no alto preço dos cursos e dos serviços oferecidos por
entidades como o Senai, fator que exclui os jovens e trabalhadores que
mais necessitam de qualificação. A reestruturação proposta pelo governo
pretende garantir que uma parte das vagas seja destinada gratuitamente
para desempregados e alunos de escolas públicas, algo justo, uma vez que
os cursos são financiados por toda a sociedade. O ministro da Educação,
Fernando Haddad, concorda: “se é a sociedade quem está financiando esses
cursos, eles devem ser dirigidos aos alunos que não têm condições de
pagar”.
Além disso, a oferta
concentrada em cursos de curta duração (muitas matrículas e baixo
impacto na vida do trabalhador), a falta de transparência na destinação
dos recursos e a preservação das desigualdades regionais também são
condenadas pelo governo.
CONGRESSO
“Estamos recolhendo
sugestões das entidades e especialistas para finalizarmos o projeto de
lei, que será enviado ao Congresso”, declarou o secretário de Educação
Profissional do MEC, Eliezer Pacheco, para quem “esse debate é muito
importante para dar sustentação à proposta, que beneficiará milhares de
trabalhadores e jovens em todo o Brasil”. |