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Renato Gaúcho,
quanta mudança!
ARIOVALDO IZAC *
Há 12 anos, quando
Renato Gaúcho assumiu a função de técnico interino do Fluminense, muitos
interpretavam a empreitada como passageira, típica de um treinador
tampão. De fato, até então Renato tinha reduzidas credencias para a
função de comandante. Seu histórico como boleiro, além da inquestionável
qualidade técnica, era de irreverência e atitudes polêmicas. Topou até
sair pelado para a revista masculina G Magazine.
Evidente que o
comportamento imprevisível do atacante induziu a maioria a subestimar
sua capacidade como comandante de grupo, função que requer liderança,
organização, planejamento tático e psicologia. Curioso é que Renato
jamais deixou de falar a linguagem dos jogadores, com o diferencial de
agora exigir profissionalismo. E surpreendeu.
PELADAS
Nos tempos de
boleiro, Renato era visto com freqüência na praia de Ipanema em peladas
de futebol e futvôlei. E a mulherada ficava assanhada com os músculos
bem distribuídos em 1,85m de altura e 85 quilos, e ele justificava a
fama de mulherengo com as centenas de aventuras amorosas.
Em 1994, em
entrevista à revista Veja, Renato Gaúcho contou ter marcado 1000 gols
fora do casamento sem esconder da mulher. E hoje, mais caseiro, constata
que o homem conta mais vantagens de suas experiência sexuais para amigos
do que há dez anos.
Aos 20 anos de
idade, em 1983, conhecido como Renato Portaluppi, já era um jogador
consagrado no Grêmio, após os dois gols na vitória por 2 a 1 sobre o
Hamburgo da Alemanha, na conquista do Mundial Interclubes, no Japão. Era
um ponteiro-direito que tanto sabia levar a bola ao fundo do campo, como
fechar em diagonal para concluir jogadas. Valia-se da boa compleição
física para suportar os trancos dos zagueiros adversários.
Quando foi jogar no
Flamengo, em 1986, ficou amigo inseparável do lateral-direito Leandro. E
acreditem: tão logo o atacante foi cortado do selecionado brasileiro
pelo técnico Telê Santana, após uma balada, Leandro também fez questão
de se desligar do grupo.
Renato era
brincalhão, porém um encrenqueiro assumido. Em 1989, quando jogava na
Roma, da Itália, desentendeu-se com o técnico sueco Nils Liedholn e
voltou novamente ao Flamengo.
Até com Romário,
hoje seu amigo, teve desentendimento. Irritou-se com críticas do
“Baixinho” em alguns jornais italianos, com posterior pedido de desculpa
no jogo de despedida do Zico em Udine, na Itália.
FLUMINENSE
De 1991 a 1994, teve
passagem discreta pelo Botafogo (RJ) e, por isso, torcedores do
Fluminense torceram o nariz quando os cartolas anunciaram a sua
contratação, em 1995. Mas bastaram seis meses nas Laranjeiras para que
se tornasse unanimidade. E o momento inesquecível foi na final do
Campeonato Carioca de 1995, quando marcou o gol do título, na vitória
dramática do Fluminense por 3 a 2 sobre o Flamengo. O Flu ganhava por 2
a 0, cedeu o empate e aquele gol dele, de barriga, aos 42 minutos do
segundo tempo, fez o Estádio do Maracanã tremer.
Como treinador,
Renato foi amadurecendo. Antes, quando Romário esmurrou o zagueiro
Andrei, companheiro de Fluminense durante um jogo, tratou de apaziguar a
situação. Se dava motivos para desconfiança, contemporizando atrasos e
ausências de treinos do amigo Romário, hoje sabe administrar a
insatisfação de Dodô no banco de reservas. Melhor assim.
* É jornalista em
Campinas e colaborador do HP |