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Revolta contra
‘livre comércio’ com EUA derruba o premier sul-coreano
O repúdio à
retomada das importações da carne dos Estados Unidos tornou-se o símbolo da
rejeição ao tratado de “livre comércio”. Essa retomada tinha sido uma das
primeiras medidas do recém empossado presidente Lee Myung-Bak
Uma grande onda de manifestações contra o
tratado de “livre comércio” e a importação de carne dos EUA, que começou em
maio e culminou na tomada do centro de Seul por centenas de milhares de
pessoas na noite de terça-feira dia 9 de junho, derrubou o primeiro-ministro
sul-coreano, Han Seung-Soo.“O primeiro ministro e o gabinete ministerial
apresentaram sua demissão
para endossar sua responsabilidade nos recentes
acontecimen-tos”, anunciou o porta-voz do governo no dia seguinte. Ocorreram
manifestações, ainda, em muitas outras cidades. A importação de carne dos
EUA estava proibida desde 2003, após um surto de doença da vaca louca nos
EUA.
O repúdio à retomada das importações da carne
dos EUA tornou-se, em cerca de um mês, no símbolo da rejeição ao tratado de
“livre comércio”. Essa retomada havia sido, exatamente, uma das primeiras
medidas do recém empossado governo do presidente Lee Myung-Bak - um
entusiasta pró-império, eleito sob a vigarice de “revitalização da economia”
e “unidade nacional”. E foi anunciada na volta de sua viagem de beija-mão a
Washington.
Em três meses, a “popularidade” de Lee despencou
para incríveis 20% - abaixo até mesmo da registrada pelo próprio Bush nos
EUA. Realmente, um recorde; e a que velocidade! Nas eleições realizadas há
uma semana, o partido dele sofreu uma fragorosa derrota, ficando com apenas
10 dos 52 mandatos parlamentares em disputa. Na manifestação de Seul do dia
9, uma das principais reivindicações foi a “renúncia de Lee”. O ato reuniu
estudantes, servidores públicos, trabalhadores em geral, agricultores e
criadores de gado. Mas a grande maioria era de estudantes, como vem
ocorrendo desde o início dos protestos.
JUVENTUDE
Uma descrição, da BBC, de maio, registrou a
marcha ascendente das mobilizações. “Milhares de jovens têm se reunido toda
a noite na capital da Coréia [do Sul], Seul, em uma vigília à luz de velas
contra o tratado de livre comércio, ocupando as principais praças”. E, de
acordo com outra matéria, mais adiante, “a maioria dos manifestantes nas
ruas são estudantes”. No início, o governo tentou ignorá-los; depois mandou
a polícia espancar os estudantes e prendê-los às dezenas, sem lograr fazer o
movimento esmorecer.
Ampliando o significado da manifestação dessa
terça-feira, ela coincidiu com o 21º aniversário dos protestos de 1987 que
levaram ao fim da ditadura sul-coreana pró-EUA. Os manifestantes repeliram
também as ameaças de Lee de privatizar estatais e “flexibilizar” direitos. O
acesso ao palácio de governo foi bloqueado por uma murada de containeres de
navio, besuntados de graxa, e 20 mil policiais, para evitar que a multidão
fosse até lá se entender com Lee.
ANTONIO PIMENTA |